Lívia Louzada
Que a cidade de Rio Bonito estará completando, neste 7 de maio, seus 166 anos de emancipação político-administrativa, quase todo riobonitense sabe. Que a princesa Isabel passou pelo rio, próximo a Rua dos Bancos, e disse: “Que rio bonito!”, e daí surgiu o nome da cidade, quase todo riobonitense já ouviu falar. O que poucas pessoas sabem, é que de acordo com pesquisas feitas pelo diretor do Departamento Municipal de Cultura, Dawson Nascimento, a cidade estaria fazendo 389 anos de história.
A tese se baseia em documentos dos padres jesuítas de 1623, que comprovam a presença de pessoas, em terras riobonitenses já naquele tempo. Segundo Dawson, são documentos de posse de terras, dados por Portugal aos padres da Companhia de Jesus. “Existem duas cópias deste documento, uma na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e outra no cartório de Cabo Frio”, revela.
E por conta de documentos antigos que discutem a origem do nascimento e crescimento da cidade, não é só o ano de desbravamento das terras que cria divergências de opiniões, mas também a colonização das terras da “cidade risonha”, como é conhecida Rio Bonito. Alguns pesquisadores da história do município dizem que tudo teria começado com os sete capitães, em meados do século XVII, já outros, dizem que os primeiros desbravadores teriam sido os expedicionários da tripulação do navegador Américo Vespúcio, que teriam desembarcado, em Cabo Frio, por volta de 1503, data que daria a cidade, 508 anos de descobrimento.
Mas uma questão ninguém discute. Os primeiros habitantes da cidade, foram os índios Tamoios, mas quem efetivamente colocou e deu ares de vila à localidade, teria sido o sargento-mor, Gregório Pereira Pinto, ou Gregório Pinto da Fonseca, um dos primeiros colonos da região, que em 1755, construiu em sua fazenda, uma capela, que denominou de “Madre de Deus”.
A capela teria atraído diversas pessoas, que povoaram o entorno, e por isso, em 1768, o povoado foi transformado em freguesia, e denominado Nossa Senhora da Conceição do Rio do D’Ouro. Mais tarde, a capela foi transferida de local, e renomeada como Nossa Senhora da Conceição do Rio Bonito. Neste local, hoje, está localizada a Igreja Matriz N. S. da Conceição, no Centro de Rio Bonito.
Por conta da mão-de-obra escrava e da agricultura, principalmente do ciclo da cana-de-açúcar e do café, a economia do lugar deslanchou, e em 7 de maio de 1846, foi dada a autonomia política, à então freguesia. Anos depois, em 1880, Rio Bonito começou a se tornar um grande centro comercial, e ganhou, em agosto do mesmo ano, um terminal da Companhia Ferro-Carril Niteroiense, mas apenas em 1890, um Decreto Estadual lhe conferiu o título de cidade.
O nome
Histórias passadas de pais para filhos, ao longo de décadas, por pesquisadores e contadores de histórias da região, dão conta de que o nome Rio Bonito teria se originado dos belos riachos da cidade, principalmente o que cortava o Centro. Dizem que esses rios, ao refletirem a luz do luar, pareciam prateados, e o efeito teria chamado a atenção da comitiva da princesa Isabel, que teria passado pela cidade, e por um desses córregos, e então dito a célebre frase que deu nome ao município.