Guilherme Duarte
Única entre os quatro pré-candidatos a já ter ocupado a cadeira de chefe do Executivo riobonitense, a ex-deputada federal Solange Almeida é a entrevistada da semana na série que o Jornal FOLHA DA TERRA preparou para apresentar a trajetória política do futuro substituto do atual prefeito José Luiz Mandiocão. Casada e mãe de três filhos, Solange vai tentar chegar ao seu terceiro mandato como prefeita. Antes de se eleger deputada, ela administrou o município entre os anos de 1997 e 2004.
Visivelmente empolgada com a possibilidade de, oito anos depois, voltar a ocupar a cadeira de chefe do Executivo, Solange Almeida conversou por aproximadamente meia hora com a nossa reportagem, na noite da última segunda-feira (11), quando fez uma análise do resultado das últimas eleições, comentou a parceria mal sucedida com o vereador Reis no último pleito municipal, revelou suas expectativas para as eleições de outubro e afirmou que a qualificação profissional será um dos grandes desafios do próximo prefeito.
Casada, mãe de três filhos, formada em medicina veterinária e especializada em Políticas Públicas pela Escola de Políticas Públicas e Governo da Universidade Cândido Mendes, Solange ingressou na política em 1988, quando tinha 27 anos. Na oportunidade, se elegeu vereadora pela primeira vez. Quatro anos depois, se reelegeu sendo a vereadora mais votada no município. A “indignação” com o “abandono” do município naquela época foi o que a motivou disputar a Prefeitura de Rio Bonito.
“Cheguei a Rio Bonito com 24 anos e me assustei com a situação do município. A cidade estava completamente abandonada, principalmente nos bairros mais afastados, como era o caso de Catimbau. A saúde era precária. Por isso, resolvi entrar na política para tentar fazer algo pelo município que escolhi para criar meus filhos. Fui eleita duas vezes vereadora, mas eu queria mais. Queria melhorar a vida da população e como vereadora não poderia fazer isso. Desta forma, me candidatei prefeita e fui eleita e reeleita”, explicou Solange.
Após deixar a Prefeitura em 2004, Solange assumiu a presidência do Instituto Vital Brasil, onde ficou por um ano. Em 2006, se candidatou a deputada federal pelo PMDB. Eleita com quase 70 mil votos, a “formiguinha”, como é conhecida, confirmava seu nome como uma das principais figuras políticas do município. No meio do seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados, Solange decidiu apoiar o então vereador Reis na corrida pela Prefeitura de Rio Bonito em 2008. A ex-deputada formou a chapa com Reis (vice-prefeita), mas não conseguiu emplacar o nome do ex-vereador. Já em 2010, em meio a diversos problemas pessoais e profissionais, Solange tentou a reeleição, mas ficou apenas como 4ª suplente, chegando a assumir por alguns meses o mandato.
“O resultado em 2006 me surpreendeu. Foi uma votação muito expressiva. Não esperava esse número tão grande de votos, mas fiquei muito feliz. Nesse meio tempo, comecei a atravessar uma fase muito difícil na minha vida. Primeiro tive o mandato cassado e fiquei pendurada numa liminar, fato que atrapalhou meu trabalho na Câmara. Depois, passei por sérios problemas familiares, mas graças a Deus tudo se resolveu. No meio disso tudo, formei uma parceria com o vereador Reis, mas não deu certo. Na eleição de 2010, tive uma votação que em qualquer outro partido teria me elegido”, afirmou.
Questionada sobre a decisão de voltar a disputar a Prefeitura de Rio Bonito, Solange foi taxativa. “Voltei porque quero o melhor para o meu município. Estamos a cerca de 20 quilômetros do maior investimento do governo federal e não estou vendo a atual administração se mover para os impactos do Comperj. Temos que aproveitar esse momento do nosso país. Os olhares do mundo estão voltados para o Brasil, principalmente para o nosso estado. Quero melhorar a vida da população. Saúde, qualificação profissional e educação serão os grandes desafios que teremos pela frente”, encerrou.