Lívia Louzada

Dezesseis dias após o cancelamento do concurso da Câmara de Vereadores de Rio Bonito, a Fundação Benjamin Constant, que havia sido contratada para aplicar a prova, publicou em seu site (WWW.faibc.org.br), na semana passada, um comunicado sobre o cancelamento. Apesar do ofício (anexado ao comunicado da instituição) assinado pelo presidente do Legislativo, Marcus Botelho, comunicando que o concurso não seria mais realizado, datar do dia 22 de junho, o comunicado da Fundação foi divulgado somente na sexta-feira (05/07). Nele, o órgão diz que foi surpreendido com a decisão da Câmara de Vereadores.

No comunicado, a instituição não poupa críticas ao Legislativo riobonitense: “preferem permanecer sem quadros de servidores efetivos, utilizando-se de apadrinhamentos espúrios (aquilo que não é genuíno) para provimentos de cargos em comissão e/ou de confiança, em funções de que nada dizem respeito a assessoramento, gerência ou direção”. A Fundação acrescenta que “perpetraram artimanha política para inviabilizar o Concurso, vez que revogaram a lei de criação dos cargos públicos daquele Poder”.

Quanto ao ressarcimento dos candidatos que fizeram as suas inscrições ou punição para os envolvidos na realização do concurso, se tiver havido erros, a Fundação diz que já procurou o Ministério Público. “Esta Fundação Organizadora promoveu junto ao Ministério Público responsável sua indignação requerendo as devidas medidas que visem resguardar o direito de todos aqueles candidatos inscritos, bem como, apurar a responsabilização dos agentes públicos que deram causa ao fato descrito acima”, diz outra parte do comunicado.

 

Ressarcimento pode demorar

 

Mas ao que tudo indica, os candidatos devem demorar para serem ressarcidos quanto ao investimento que fizeram. O site da Folha Dirigida (WWW.folhadirigida.com.br) publicou entrevista com o presidente da Câmara, Marcus Botelho, em que ele afirma que a devolução da taxa de inscrição “será feita somente por determinação judicial”.

“Estamos recebendo ofícios de candidatos, que pedem o dinheiro de volta. Pretendo convencer o Ministério Público de que a decisão de anular o certame foi contra a minha vontade. Eu queria suspendê-lo, para alterar os valores aprovados no Plano de Cargos e Salários da Câmara. Vamos tentar reverter a situação do concurso com a própria Mesa Diretora. De qualquer forma, a devolução do valor das inscrições será feita somente por determinação judicial”, disse para o site.

O veículo ainda informou que o presidente confirmou que foi ouvido pelo Ministério Público, na quarta-feira (04/07), e que deverá apresentar a documentação exigida, como o contrato com a empresa organizadora e a ata da decisão do cancelamento do concurso, votado pela Mesa Diretora, por maioria simples.

 

Indignação

 

Mas a revolta da população não é somente quanto ao ressarcimento. Na internet, em diversos blogs e redes sociais, concurseiros vem expressando suas opiniões sobre o fato, inclusive afirmando que o concurso seria uma “roubalheira”. No blog ‘Estudante Alerta’ (estudantealerta.wordpress.com), um internauta deixou o seguinte comentário, abaixo da notícia sobre o cancelamento da prova.

“Olá amigos, o concurso foi realmente cancelado, já está disponível na página da FAIBC desde o dia 5 de Julho, quero dizer que isto tudo é uma roubalheira, e que o chefe da quadrilha é o Presidente da CMRB, o Sr. Marcos Botelho, e a Organizadora a FAIBC não é santa, leiam o texto abaixo e tirem suas próprias conclusões”, diz o internauta, que abaixo reproduziu matéria do jornal O Fluminense, intitulada ‘Suspeita de fraude em concurso realizado para a Câmara de Itaboraí’.