A partir desta edição, e até a que será publicada no dia 29 de setembro (um total de seis edições), a FOLHA publica uma série de entrevistas com os três candidatos a prefeito de Rio Bonito, Matheus Neto (PSB), Solange Almeida (PMDB) e Marcos Abrahão (PT do B). As entrevistas, concedidas aos jornalistas Guilherme Duarte e Lívia Louzada, são sobre temas importantes, como Saúde, Educação, Segurança e Emprego. A cada edição os três responderão sobre um tema, e o de hoje é Saúde.
Saúde
FOLHA DA TERRA: Apesar de ter uma das melhores Unidades de Pronto Atendimento (UPA) do Estado (segundo a Secretaria Estadual de Saúde), a saúde do município vem enfrentando diversos problemas, exemplo disso é a crise no Hospital Regional Darcy Vargas, que já foi considerado hospital de referência na região. Como pretende enfrentar essa questão?
Matheus Neto: O Hospital Regional Darcy Vargas sem dúvidas é uma unidade muito importante para a estrutura do SUS em Rio Bonito. Ele vem recebendo investimentos crescentes por parte do SUS nas três esferas de governo. Nós estamos repassando, em agosto, cerca de R$ 1,2 milhão para o hospital, valor que deve ser ampliado por conta de novos investimentos em serviços que ainda não são feitos no município. Quero continuar investindo no HRDV, ajudando a promover um novo perfil da instituição, que está migrando de uma unidade de baixa complexidade para média e alta, o que é bom para o município já que o financiamento do SUS é bem maior. Acho muito saudável essa mudança de perfil. Pretendo continuar investindo para que novos serviços sejam oferecidos na nossa cidade, pois uma das minhas primícias é o fortalecimento da saúde dentro do município.
Solange Almeida: A emergência do Darcy Vargas tem que ser retomada, e a UPA também, porque a filosofia da UPA é, você vai lá, se consulta, faz aqueles exames básicos de sangue e raio x, e sai com a medicação, mas hoje não está acontecendo isso. Temos que pensar em colocar um tomógrafo na UPA, que não é um bicho de sete cabeças. Colocar médicos de sobreaviso nas especialidades de cardiologia, neurocirurgia e ortopedia, que vão atender na emergência, tanto no Hospital Darcy Vargas, quanto na UPA. Já no Darcy Vargas, o que existe é um sub-financiamento mesmo. E se tem uma falta de financiamento, é necessário o poder público suprir, seja ele municipal, Estadual ou Federal. Se o Hospital hoje é quase 90% SUS, acho que a Prefeitura pode fazer uma gestão compartilhada com o Hospital. Queremos que a Prefeitura esteja mais envolvida e resolvendo os problemas, porque o Hospital não tem de onde tirar dinheiro, a não ser dos contratos. Então o que a gente pretende hoje, é melhorar o financiamento.
Marcos Abrahão: O Hospital Regional Darcy Vargas está passando por um momento muito difícil, mas a culpa não é da atual diretoria. A responsabilidade é toda dos últimos políticos que governaram nossa cidade. Isso que eles fizeram com o hospital foi molecagem política. Não podemos colocar a culpa da incompetência de Solange e Mandiocão, num grupo de pessoas que fizeram uma administração brilhante. Os dois usaram o hospital para fazer politicagem suja, ficaram 8 anos carregando paciente e não fizeram um único investimento. Além de repassar corretamente a verba do SUS, é preciso fazer investimentos municipais. Já tivemos Odorico Paraguaçu demais. Rio Bonito precisa de um choque de administração, precisa de um administrador competente.
FOLHA: Uma das principais reclamações da população é sobre a falta de médicos e medicamentos nas unidades de saúde da rede municipal, assim como a demora na marcação de exames e consultas. Como mudar esse quadro?
Matheus Neto: Temos algumas estratégias para continuar melhorando o atendimento dos postos de saúde. Estamos terminando um mandato com 10 novos postos construídos e praticamente todas unidades reformadas. Mas, além disso, precisamos construir pelo menos mais quatro postos de saúde e continuar o processo de qualificação continuada, ou seja, algo que vai durar toda a nossa gestão, acompanhando as novas tendências na área da saúde. Investimentos na contratação de novos médicos já vêm acontecendo gradativamente. As filas que eram comuns no Ambulatório Loyola, hoje não existem mais. Mas, mesmo assim, algumas especialidades nós ainda queremos melhorar a qualidade do atendimento, assim como a oferta de médicos.
Solange Almeida: Primeiro, temos que pensar que saúde, a gente tem que fazer em três esferas, que é a atenção básica, de média e de alta complexidade. Então a gente não vai ter atendimento de urgência bem feito, se não tiver a prevenção, o controle de doenças como diabetes, hipertensão, tuberculose, ou hanseníase. A gente precisa ter o atendimento de atenção básica nos subpostos, mas hoje, eles não funcionam. A saúde preventiva em Rio Bonito não funciona. Queremos, em primeiro lugar, voltar com os subpostos que funcionavam na minha época, os PSF’s, com médicos todos os dias.
Marcos Abrahão: Primeiramente preciso dizer que essa história de novos 10 Postos de Saúde contada pelo candidato governista é uma verdadeira palhaçada. De que adianta 10 novas unidades se nenhuma funciona? Nunca vi posto de saúde fechar às 14h. Isso é um absurdo. Hoje, em Rio Bonito, tem mais agente de saúde do que doente. Isso é cabide de emprego. Entope a Prefeitura de gente trabalhando e a saúde é zero. Outro fato interessante é a existência de quatro postos de saúde (Bela Vista, Rio do Ouro, Mangueira e Jacuba) numa distância de 500 metros entre um e outro. Pra que isso? Acaba que nenhum funciona, pois não tem profissional para trabalhar. Isso é prova de incompetência. Mas esse problema não é de agora, começou ainda na época de Solange.
FOLHA: Como pretende melhorar a saúde do município?
Matheus Neto: Acredito que uma integração entre os Postos de Saúde, HRDV e UPA é o melhor caminho para resolver a situação da saúde do município. A saúde é o grande desafio de todo gestor público municipal. Vou continuar investindo em atenção básica, construindo mais postos de saúde e qualificando as equipes de trabalho cada vez mais. Vamos trazer novos serviços para o município, como a radioterapia para complementar o tratamento de câncer que já é oferecido (serviço de quimioterapia prestado pela Unacon, ao lado do Darcy Vargas). Além disso, já temos o projeto e os recursos para começar a construção de um centro de radiologia e estamos em estudo para trazer o serviço de tomografia computadorizada para o município. Nós entendemos também que o município precisa assumir a maternidade municipal, que hoje é de responsabilidade do HRDV. Por último, continuar investindo na UPA para que a unidade continue como a melhor do estado e ofereça um atendimento cada vez melhor para a população riobonitense.
Solange Almeida: Fazendo, atrás do Ambulatório Loyola, o Hospital da Mulher com UTI Neonatal e uma maternidade para atendimento a pacientes de alto risco. Reorganizando o transporte de pacientes para outras cidades; transformando o Centro de Saúde Almir Branco em uma Unidade de Saúde da Criança, com atendimento de puericultura, pediatria todos os dias, exame do pezinho, exame da orelhinha, exame do olhinho, fonoaudiologia e psicologia para a criança. Colocando três dias de clínico geral nos postos de saúde, um dia de ginecologista e um de pediatria. Pretendo colocar um posto de saúde no Bosque Clube, e reordenar o atendimento dos postos. Reativando o Centro Municipal de Reabilitação, porque quando a gente criou, a idéia era fazer uma parceria com a Associação Fluminense de Reabilitação (AFR) para evitar que nossas crianças tenham que se deslocar para centros de maior condição. Garantindo fisioterapia domiciliar três vezes por semana, porque uma vez só por semana a gente sabe que não reabilita nada. No Centro também vai ser tratada a questão do AVC (Acidente Vascular Cerebral), e outros problemas como esclerose múltipla, oferecendo uma equipe multidisciplinar para tratar de todos os pacientes com os equipamentos que existem em locais como uma AFR ou numa ABBR (Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação).
Marcos Abrahão: Contratação de mais profissionais, competência administrativa e valorização salarial. Hoje, o médico que trabalha em Rio Bonito tem o pior salário do Estado, assim como os enfermeiros. Além disso, falta profissional nas unidades de saúde, mas quem vai querer trabalhar em Rio Bonito para ganhar o que o município paga? Vamos criar o Hospital da Mulher, onde hoje funciona o Ambulatório Loyola, colocar os postos de saúde para efetivamente funcionarem com rodízio de plantão de 24 horas, construir novos postos em locais estratégicos, investir no Hospital Regional Darcy Vargas e qualificar os profissionais. Rio Bonito precisa de um administrador que tenha coerência e que coloque técnicos para estarem a frente das pastas. É importante ressaltar que não vamos derrubar nada, vamos usar da competência para colocar para funcionar. A saúde será uma das prioridades do nosso governo.