Guilherme Duarte

Chumbo de Jesus, Blindado da Ita Show, Batirica, Popular Treze, Xeroca, Pitbull do Mercado, Gabiru das Roupas, Meu Nome é Enéas e por aí vai. A cada ano que passa a criatividade dos políticos da região parece não ter limites. Se no Executivo os candidatos preferem utilizar seu nome de batismo na corrida eleitoral, no Legislativo a situação é bem diferente. Para conquistar votos e fixar o nome na mente do eleitorado, os candidatos deixam de lado seus nomes e apostam em apelidos curiosos nas urnas. À princípio, esses apelidos podem até soar estranho, mas é desta forma que eles pretendem conquistar a tão sonhada vaga no Legislativo.

Engraçados ou não, os candidatos alegam que optaram por usar seus apelidos na política porque é  assim que são conhecidos em suas cidades e uma mudança repentina poderia causar uma grande perda de votos. Popularmente conhecido como Xeroca , Fabiano Cardozo explica como surgiu o apelido. “Desde a minha infância, sempre que ia jogar bola levava meu irmão comigo. Devido a nossa semelhança, os amigos começaram a dizer ele era minha xerox. Daí surgiu o Xeroca e Xeroquinha. Sou chamado assim desde os 12 anos e não tinha o porquê mudar agora. Assim fiquei conhecido na cidade e agora quero representar toda a população riobonitense na Câmara de Vereadores”, disse o candidato do PT do B.  

Outro apelido que vem chamando atenção nesta eleição é Popular 13. Bastante emocionado, o candidato Vanilton Siqueira, de 45 anos, revela que herdou o apelido do pai. “O meu pai era o verdadeiro Popular 13, apelido que ganhou ainda na juventude nos campos de futebol devido a camisa que usava. O apelido passou de pai para filho. Ele me levava para todos os lugares e acabei também ficando conhecido por Popular 13. Tudo que sou devo a ele”, contou o candidato do PSL com lágrimas nos olhos.

Em Rio Bonito, como já  é tradição, os candidatos também apostaram mais uma vez nas suas carreiras profissionais para atrair mais votos. A saúde e a educação são as áreas preferidas dos candidatos, mas há representantes de todas as áreas. Solange da Creche, Leninha da Enfermagem, Professor Arnupho, Flávio Carteiro, Zé da Padaria, Humberto Guarda, Luciano do Resgate, Marlene Assistente Social, Paulinho do Salão, Ricardo da Auto Escola, Uilian da Retífica e Valmir Pedreiro são alguns exemplos. Outro artifício bastante usado pelos políticos riobonitenses é acrescentar ao nome o seu reduto eleitoral, como fizeram Neném de Boa Esperança, Rafael do Rio do Ouro, Cirlene de Cidade Nova, Dudu do Basílio, Fernando da Mata, Zé Carlos do Sambê, Adilson do Parque Andréia, Mariana do Boqueirão, Dilon de Boa Esperança, Luzia do Sambê e Mazinho da Jacuba.

Se em Rio Bonito os candidatos preferem não ousar nos seus “nomes de guerra”, em outras cidades da região os políticos usam e abusam da criatividade. Em Saquarema, Papai Noel, Capitão do Mato, Kid Penetra, Puruca e Jeguinho estão na briga por uma das vagas do Legislativo. Já em Itaboraí, destaque para Chumbo de Jesus, Blindado da Ita Show e Pitbull do Mercado. Em Casimiro de Abreu, Batirica, Mãe Loura e Malabim estão na lista dos nomes mais exóticos da região. Em Silva Jardim, a disputa é no reino animal. Galo, Tatu e Vamilton Peixeiro apostaram nos seus apelidos para pleitear uma cadeira na Câmara de Vereadores da cidade.

A escolha do apelido e o registro para as eleições de 2012 é disciplinada pela Resolução Eleitoral nº 23.373. De acordo com o texto o nome indicado pelo candidato, para ser utilizado na urna, pode ser “o prenome, sobrenome, cognome, nome abreviado, apelido ou nome pelo qual o candidato é mais conhecido, desde que não se estabeleça dúvida quanto a sua identidade, não atente contra o pudor e não seja ridículo ou irreverente”.