Lívia Louzada
Com o intuito de prestar esclarecimentos sobre algumas afirmações feitas pela secretária de Saúde de Rio Bonito, Maria Juraci Dutra, na sessão da Câmara dos Vereadores, do dia 30 de agosto, sobre a antiga administração do Hospital Regional Darcy Vargas, o ex-presidente (interino) da instituição, Luiz Fernando Romanelli, concedeu entrevista exclusiva à FOLHA, na última segunda-feira (17), em seu escritório, no Centro da cidade. Romanelli disse que se houve erros, os maiores podem ser resumidos em apenas dois, “não ter feito propaganda das melhorias feitas no Hospital, e não ter brigado com o Poder Público Municipal” durante a crise entre as duas instituições.
“O que o Gustavo (o ex-presidente Luis Gustavo Martins) fez, foi uma doação total. Há 16 anos, pegamos a instituição falida, entramos com tudo quebrado. Não tinha certidões (certidões necessárias para o Hospital ser considerado filantrópico), e haviam 300 títulos protestados. Mas faltou uma coisa, não se fez marketing. Tem tantas pessoas de mau caráter, em tudo quanto é lugar, que ninguém imagina que podem ter pessoas de bem fazendo esse trabalho, e por isso precisávamos ter feito propaganda”, disse Romanelli.
Ele ainda foi além, quanto a afirmação da secretária Maria Juraci. “Ela está em Rio Bonito desde 2009. Só agora então ela percebeu que havia um problema de gestão? E nos outros anos, será que ela não avaliou? O problema é que ela mandava serviço e não mandava recurso, porque nós somos sempre fiscalizados pelo SUS. Ali não tem nada que não seja auditado, que não tenha comprovação. E se havia um problema de gestão, porque, no início desde ano, o hospital ganhou um prêmio da Secretaria Estadual de Saúde, por ser um dos que melhor aplicou os recursos do PAHI (Programas de Apoio aos Hospitais do Interior)?”, indagou ele.
De acordo com Romanelli, a afirmação da secretária, de que havia uma dificuldade na gestão, se aplica somente a falta de recursos com a qual eles tinham que trabalhar. O ex-vice-presidente diz que problemas financeiros, o Darcy Vargas sempre teve, e sempre lutou com todos os governos anteriores, inclusive o da ex-prefeita Solange Almeida, para que mais recursos fossem aplicados na unidade. Mas tudo isso, antes de janeiro de 2009 (data em que a secretária assumiu a pasta no município), pois assim que a secretária assumiu, “ela transformou o município em Gestão Plena de Saúde, ou seja, os recursos que vinham do Governo Estadual e Federal, direto para a conta do Hospital, não vinham mais. Vinham para o município, e eles nos repassavam. Isso amarrou o Hospital a Prefeitura”, afirmou.
Outra questão levantada na sessão da Câmara, foi o motivo pelo qual, a antiga diretoria não entrou no Ministério Público, contra o município, tal qual fez a Prefeitura. Segundo Romanelli, o Darcy Vargas usou o mesmo recurso contra a Prefeitura, muito antes dela, em Abril 2009. Nesta data, de acordo com ele, a instituição ficou três meses sem receber os valores relativos aos serviços do Pronto Socorro, relativos a janeiro, fevereiro e março do ano em questão. Na época, por conta do problema, a Justiça bloqueou as contas da Prefeitura, pela falta de pagamento.
Quanto aos salários dos médicos, que segundo a secretária Maria Juraci, poderiam receber cerca de R$ 6.100,00, com o valor de R$ 208 mil que o hospital recebia, do antigo POA (Plano Operativo Anual), ele discorda. Segundo Romanelli, que é ex-bancário e administrador de empresas, como são 42 médicos, para terem esse salário, o hospital precisaria de R$ 366 mil, somente para pagá-los. “Mas se somados a enfermagem, porteiro, recepção, material e medicamentos, era preciso R$ 408 mil, mas só tínhamos R$ 208 mil”, destacou.
Ele contou ainda, que com a inauguração do Centro de Tratamento Intensivo do Darcy Vargas, em agosto de 2011, o prejuízo mensal do hospital, já estava em R$60 mil, porque apesar de apresentar as planilhas das despesas efetuadas, já que, dos sete leitos, cinco são do SUS, o município não ressarcia a instituição. Somado ao prejuízo com o CTI, a unidade ainda teve, por determinação do Ministério Público, que aumentar o salário de cerca de 150 funcionários do setor de enfermagem, o que gerou uma despesa de mais R$ 70 mil mensais.
Situação atual
Depois que a antiga diretoria, declarou que iria renunciar, foi assinado o novo POA (antes que os demissionários deixassem os cargos), que segundo Romanelli, levou quase um ano para ser assinado. Com o novo POA, a nova diretoria que assumiu, tendo a frente, Joaquim Pacheco Martins, terá mais R$ 280 mil mensais para administrar o Darcy Vargas. De acordo com Romanelli, com um empréstimo (que, segundo ele, foi necessário pegar para cobrir as despesas que não foram pagas por conta dos atrasos nos repasses da Prefeitura), e os valores do novo POA, é que foi possível “viabilizar o pagamento imediato de todos os compromissos atrasados como fornecedores, impostos e bancos, deixando o Hospital totalmente saneado, estocado de materiais e medicamentos, e ainda com uma aplicação financeira de R$ 400.000,00, para que a nova diretoria, que foi indicada em chapa única pelo prefeito, possa dar continuidade ao trabalho”.
Ele também informou que o novo POA, possibilitará o aumento do salário dos médicos e, consequentemente, a volta do atendimento de qualidade, no Pronto Socorro. “Em 10 anos, o hospital nunca esteve tão bem, econômica e financeiramente, como está agora. Fizemos a nossa parte, buscando sempre o diálogo, mas hoje entendemos que na nossa boa fé, fomos amadores, infantis, e até mesmo idiotas em acreditar em pessoas de má fé e profissionais que vivem da política. Erramos sim, reconhecemos nosso erro, pois deveríamos dar conhecimento de tudo isso a sociedade em geral, através de informativos, e ao Ministério Público, como já fizemos outras vezes. Mas agora é tarde. Cansamos de lidar com essas pessoas. Nossa família não merece nos verem estressados, doentes e tristes por tentar enfrentar esses senhores e senhoras do poder. Por isso nossa saída em bloco”, concluiu o administrador de empresas.