Lívia Louzada
Para o delegado Paulo Henrique da Silva, da 119ª Delegacia de Polícia de Rio Bonito, Fabiano Amorim da Motta, de 39 anos, teria mandado matar Carlos Américo de Azevedo Branco porque “estava sofrendo cobranças rígidas” de uma dívida de R$150 mil que tinha com a vítima. Apesar da declaração, em entrevista a FOLHA na última semana, o delegado disse, que somente Fabiano pode dizer detalhes do porque tudo aconteceu, mas como ele usou do direito de ficar calado, quando foi preso, a população vai ter que esperar mais tempo para saber os detalhes do caso.
Outra revelação feita pela autoridade policial é com relação a outros envolvidos no assassinato. Dois gerentes de duas agências bancárias de fora da cidade estão envolvidos no caso, segundo o delegado. Para prender um desses gerentes, o delegado informou que pedirá apoio da 14ª DP do Leblon e ainda do setor de segurança institucional do banco. Com a prisão, ele espera desvendar todo o esquema, já que um dos gerentes, também pode estar envolvido em ‘saidinhas de banco’.
Esquema de estelionato
Desde a revelação (da autoria do crime) e prisão de Fabiano, no dia 1º deste mês, sob a acusação de mandar matar o empresário Américo Branco, em maio de 2011, não se fala de outro assunto em Rio Bonito. A notícia ganhou repercussão, principalmente depois que o delegado de Rio Bonito falou que outras pessoas serão presas por estarem ligadas ao esquema de estelionato, que Fabiano também é acusado de participar. Segundo o delegado, cerca de 10 pessoas já foram ouvidas e identificadas como laranjas desse esquema.
De acordo ele, grande parte dos laranjas são pessoas humildes, que receberam R$ 200,00 e até R$50,00 para fornecerem dados pessoais, como RG e CPF. “São entregadores de gás, empregadas domésticas, mas também há comerciantes, e autoridades do município”, pontuou Paulo Henrique da Silva.
O delegado contou que para conseguir os dados dos laranjas, Fabiano contava várias histórias. Para uns, dizia que precisava fazer uma compra, mas seu nome estava sujo, e pedia o CPF emprestado. Para outros, ele prometia benefícios, como roupas, dinheiro, e até cartão Construcard, para compra de materiais de construção. Tudo, segundo a autoridade policial, no intuito de obter os dados pessoais para abrir firmas fantasmas, comprar em nome delas, e depois decretar falência.
“Alguns laranjas tinham mais de uma empresa registrada, mas com endereço falso de outros municípios, como Macaé e Cabo Frio. Outros nem sequer sabiam que seus nomes estavam sendo usados, e muitos descobriram devido a dívidas que foram feitas em seus nomes. Há laranjas com R$270 mil de dívida”, revelou.
Já sobre os laranjas que sabiam e se beneficiavam mais com o esquema, o delegado citou que somente um comerciante da cidade, que fazia parte das transações, tinha mais de uma empresa em seu nome.
Como o esquema de estelionato descoberto é muito grande, e o inquérito começa com cerca de 300 folhas, de acordo com o delegado, a prioridade é concluir a investigação do homicídio.
Repercussão
Mesmo antes de Fabiano ser preso, toda a cidade ligava seu nome ao caso do assassinato de Américo, mas principalmente a esquemas fraudulentos na região. Esquemas esses, que geraram comentários a partir do momento que Fabiano começou a ostentar carros luxuosos, como Chrysler, Audi e até um New Beetle, que foi adesivado com a logomarca da loja de sua esposa, sem contar com a mansão em que ele mora com a família, de aproximadamente 1000m².