Lívia Louzada

Quem precisou sair de casa, em Rio Bonito, para trabalhar ou estudar no início da manhã da última quarta-feira (03), chegou atrasado ao seu destino. A forte chuva que caiu na cidade durou aproximadamente duas horas, mas foi o bastante para alagar ruas nos bairros Boqueirão, Bela Vista, Marajó, Caixa D’água, e principalmente o Centro da cidade, onde as ruas Antenor Marmo,  Júlia Cortines e Major Bezerra Cavalcante, além de vários trechos da Avenida Manuel Duarte, e o início da Av. Epifânio Quintanilha, ficaram praticamente submersas. Na Serra do Sambê, na Rua Pedro Álvares Cabral, a força da chuva arrancou um tubulão de ferro e abriu uma cratera de aproximadamente 3m de largura e 2m de profundidade, impedindo a passagem de veículos e pedestres. No Bosque Clube, segundo a Defesa Civil, houve deslizamento de terra, mas nenhuma casa teve que ser interditada.

De acordo com o comandante da Defesa Civil de Rio Bonito, o tenente Willian Dias, em alguns pontos da cidade, foi necessário colocar uma contenção de plástico para prevenir novos deslizamentos. Ainda no Bosque Clube, na Rua Júlio Romero, o deslizamento provocou a queda de uma árvore, que foi retirada horas depois. Como a equipe da Defesa Civil ainda é pequena, com apenas o comandante e mais um funcionário, o tenente Willian informou que está contando com a ajuda das secretarias de Obras e Desenvolvimento Urbano para resolver os problemas gerados pela chuva.

Durante todo o dia, riobonitenses postaram diversas fotos no Facebook mostrando os alagamentos na cidade e os transtornos que foram causados. Na Av. Manuel Duarte, depois que a chuva passou, foi possível avistar os galhos em baixo dos carros estacionados desde a noite anterior, e em alguns trechos, a força da correnteza fez com que motos (e até um carro enguiçado) estacionadas fossem arrastadas por alguns metros.

A internauta Adriana Velasco, mãe de uma aluna do Colégio Rio Bonito, postou uma foto que mostrava a Av. Manuel Duarte, no trecho em frente a colégio, completamente alagada. As aulas tiveram que ser suspensas no Colégio Rio Bonito (Centro) e no  Desembargador (Bela Vista).

 

Força da água

abriu cratera

Na Rua Pedro Álvares Cabral, na Serra do Sambê, onde uma cratera foi aberta, os moradores disseram que a rua já estava com o paralelo cedendo e desnivelada, mas a situação piorou há 10 anos, quando caiu a contenção que havia no local por causa do córrego que passa por baixo da via, onde havia um tubulão de ferro, que foi arrancado pela força da água. A cratera fez com que os moradores ficassem quase ilhados, já que em outra passagem, “a estrada é ruim e muito mais distante”, contam os moradores. 

Na Rua Francisco Coelho dos Santos, ao lado do campo do Rio Bonito, o canal que corta a rua transbordou e a água entrou em algumas casas. Mas “o problema não é  novo”, relata a moradora e professora aposentada Leila Lopes. De acordo com ela, toda vez que chove forte, a água fica a cerca de 20cm da borda do canal, que não tem qualquer tipo de contenção. Segundo Leila, depois que a chuva termina, e a água começa a drenar, outros problemas aparecem, como cobras e ratos. Ela relata ainda que o medo dos moradores é constante, pois cada vez que chove forte, um pedaço do asfalto cede e o canal fica mais perto das casas.

Com medo do que ainda pode acontecer, Leila disse à reportagem da FOLHA que cansou de procurar os órgãos responsáveis. Ela conta que procurou a Secretaria de Meio Ambiente e a Defesa Civil, mas não obteve resposta, por isso decidiu fazer uma carta e entregar ao presidente da Câmara de Vereadores e a prefeita Solange Almeida, pedindo providências.