Lívia Louzada


Celso Peçanha

Ainda vivo, hoje com 96 anos, o campista de Santo Eduardo, Celso Peçanha, nasceu em 1916. Foi prefeito de Rio Bonito por três mandatos, de 1943 até 1956, sendo os dois primeiros mandatos ainda na ditadura. Ele fundou e por isso empresta seu nome a Biblioteca Municipal de Rio Bonito – Biblioteca Municipal Celso Peçanha. Além de prefeito de Rio Bonito, ele também foi prefeito de Bom Jardim, deputado federal, vice-governador e depois governador.

Por conta de sua posição política, nos diversos cargos que ocupou, conseguiu inúmeros investimentos para o crescimento da cidade, como verbas da União para a construção do Hospital Regional Darcy Vargas, construção do Mercado Municipal, triplicou o número de escolas municipais, fez a doação do terreno para construção do Motorista Futebol Clube, e construiu o prédio da Prefeitura.

Em 1992, aos 76 anos, se candidatou a prefeito de Rio Bonito pela terceira vez, perdendo a disputa para o ex-prefeito José Luiz Antunes.

Pelas conquistas e pelo idealismo, Celso Peçanha se tornou uma pessoa muito querida pela população. Mas o político carismático não atuou apenas na administração pública, ele também é advogado, autor de vários livros, foi corretor de imóveis, professor de Ensino Médio em Valença, Niterói, Rio Bonito e Campos, agente de investimentos; diretor da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Econômicas de Teresópolis, entre 1975 e 1978, e procurador do Tribunal de Contas Especial do Rio de Janeiro. “Vivi intensamente e guardo boas lembranças do tempo que passei por aí”, disse o ex-prefeito à reportagem da FOLHA, por telefone.

 

Astério Alves de Mendonça

 

Médico, professor e político, Astério Alves de Mendonça empresta seu nome ao Colégio Municipal Astério Alves de Mendonça, conhecido apenas como Municipal, e a Praça Astério Alves de Mendonça, localizada em frente a antiga Estação Ferroviária, pelos diversos serviços prestados ao município, principalmente na área da medicina social. Filho de José Motta de Mendonça e Maria Alves Pereira de Mendonça, Astério nasceu em Boa Esperança em 1909. Antes de se casar com Corina Guimarães de Mendonça, em 1938, com quem teve dois filhos, Astério começou a faculdade de medicina.

Já formado, abriu um consultório em Rio Bonito, e atendeu em postos de saúde da cidade e em Silva Jardim. Paralelo a medicina, ele também gostava das áreas de ensino e política. Foi professor de ensino médio, antigo ginásio, e depois professor de anatomia para a 1ª turma de professores da Escola Normal de Rio Bonito.

No mundo político, Astério foi vereador em 1948, presidente da Câmara Municipal, e depois deputado estadual de 1960 até 1966. Mas apesar das atividades políticas, não deixava a medicina social, função essa que o transformou em uma pessoa muito querida pelo povo. O médico morreu em 1980, vítima de endocardite bacteriana, em Niterói.

 

Alcebíades de Moraes Filho

(Bidinho)

Nascido em 1931, em Rio Bonito, Alcebíades de Moraes Filho, o popular Bidinho, era filho de Alcebíades Vieira de Moraes e Esther Abreu de Moraes, e emprestou seu nome a rodoviária, o Terminal Rodoviário Alcebíades de Moraes Filho, que construiu quando foi prefeito de Rio Bonito pela primeira vez (1973 a 1977). Bidinho foi vereador por dois mandatos, tendo sido presidente da Câmara Municipal, depois foi vice-prefeito de Rio Bonito na chapa de Nelson Mendonça, quando ocupou o cargo de diretor de Educação e Assistência Social da Prefeitura, e em seguida prefeito da cidade por duas vezes (de 73 a 77, e de 83 a 88).

O carismático Bidinho fez diversas obras na cidade, além da construção da Rodoviária, entre elas o acesso a BR-101 pela Mangueirinha, ampliação do Cemitério Municipal, asfaltamento no centro da cidade, reurbanização de praças, implementação de unidades de saúde no interior do município, e o calçamento de mais de 63 mil metros em 58 ruas da cidade.

Bidinho também era jornalista e poeta. Ele foi repórter da Folha Carioca, colaborou com outros jornais e revistas do Estado do Rio e de outros Estados, como no Rio Grande do Sul, e ainda fundou, ao lado de Hélio Nogueira, a revista Paisagem. Moraes Filho teve apenas um filho, Alcebíades de Moraes Neto, o Bibide.  O ex-prefeito morreu em 2 de janeiro de 1996, vítima de um infarto fulminante enquanto dormia.

José  Alves Ventura

Português de Chaves, nascido em 1912, o desportista José Alves Ventura, por obra do destino veio parar em Rio Bonito e por causa dos serviços prestados ao Rio Bonito Atlético Clube, deixou seu nome imortalizado no estádio do clube, o Estádio José Alves Ventura. Depois de ter sido campeão gaúcho de boxe amador em Porto Alegre, o pugilista se mudou para Niterói, onde chegou a trabalhar em um cassino.

Mas o destino queria que José  Alves Ventura tivesse seu encontro com a cidade Risonha, por isso, quando estava em viagem com a família para Itaperuna, em 1948, parou em Rio Bonito para fazer um lanche, não sabendo ele que aquela parada iria mudar sua vida. O desportista se apaixonou pela cidade, adquiriu o Bar e Restaurante Monte Castelo, onde hoje é localizado o Edifício Luanda, e uma semana depois se mudou para Rio Bonito, com a família.

Já fixado no município, em 1951, junto com outros desportistas, ele fundou o Proletário Atlético Clube, e no ano seguinte a Liga Riobonitense de Desportos. No Proletário, Ventura fundou uma academia de boxe, que chegou a ganhar o título de campeão fluminense de boxe amador com o pugilista Ary Roque. Ventura foi presidente do clube até 1958, quando o Proletário foi campeão invicto de futebol. No mesmo ano, Ventura morreu depois de um acidente de carro quando voltava de uma pescaria. O Estádio ganhou seu nome quando o Proletário se fundiu com a Associação Bancária, formando o Rio Bonito Atlético Clube.