Rio - A ameaça de perder sua parte na herança de R$ 52 milhões do milionário Renné Senna pode ter levado a ex-cabeleireira Adriana Almeida a planejar o assassinato do marido, segundo o titular da Delegacia de Homicídios (DH), Roberto Cardoso. De acordo com o delegado, há informações de que, ao descobrir as traições da mulher, dias antes do crime, Renné teria dito que mudaria o testamento e retiraria o nome de Adriana. Outra linha de investigação indica a demissão do ex-soldado da PM Anderson Silva de Souza, que foi chefe da segurança da vítima e seria amante de Adriana, como a motivação da execução. Apurações apontam Souza como autor dos disparos que mataram Renné. Com prisão decretada desde o dia 25, o ex-PM se entregou ontem na DH.

Souza negou envolvimento no crime e disse que não era amante da viúva, que ontem teve o pedido de habeas corpus negado pela 8ª Câmara Criminal. Como o ex-policial se apresentou na delegacia com carteira falsa de perito, ele foi autuado em flagrante. Em sua casa, em Itaboraí, policiais apreenderam distintivos de perito criminal e cartões de visita nos quais se dizia oficial de Justiça e juiz arbitral. Segundo o delegado, Renné soube por um de seus seguranças, o PM David Vilhena, morto em setembro, que Souza — então chefe da equipe que tomava conta da fazenda — havia sido expulso da PM.

MORTE DE SEGURANÇA

Pelo assassinato de David, Cardoso deverá pedir na próxima semana a prisão de Souza e dos PMs Ronaldo Amaral Oliveira e Marco Antônio Vicente, ex-seguranças do milionário, já presos, acusados de participação na morte de Renné. Adriana será intimada a depor no caso.

Para o delegado, as versões do ex-PM não se sustentam: “Não descarto que ele seja o autor dos disparos e vou ouvir novamente as testemunhas do crime porque há informações de que o assassino teria suas características físicas. Também quero ouvir outros seguranças para extrair as contradições”.

O acusado disse que estava em Petrópolis, na casa de uma irmã, com a mulher, Janaína Silva de Oliveira Costa, contra quem também há mandado de prisão. Melhor amiga de Adriana, ela seria sua professora de ginástica. O ex-PM garantiu à polícia que a mulher também vai se apresentar. Ele negou ter saído às pressas de casa e disse que viajou com a família no Réveillon. “É mentira. Ele não saiu para passar férias. A casa estava toda revirada”, rebateu Cardoso.

DEFESA DO PRESO

Aos policiais, Souza afirmou ser estudante de Direito em São Gonçalo e estagiário no escritório do próprio advogado, Júlio Braga. Com terno e gravata e dizendo-se perito grafotécnico, ele se mostrou chateado com as informações divulgadas pela polícia de que Janaína e Adriana seriam garotas de programa. “Somos pessoas de bem”, declarou o preso.

Ele também se irritou ao ser chamado de ex-PM. De acordo com seu advogado, ele já foi absolvido, entrou com recurso e já pediu reingresso à corporação. “O rótulo de ex-PM não pode me perseguir por toda a vida”, afirmou Souza.

EX-MARIDO DIZ QUE FOI AMEAÇADO

O processo de separação de Adriana do seu ex-marido foi marcado por brigas pela partilha dos bens, como móveis e objetos de decoração. Segundo o ex-marido, que pediu para não ser identificado, em uma das discussões, a ex-cabeleireira ameaçou o pai de dois dos seus três filhos.

Amigos próximos do ex contam que ela teria dito que iria matá-lo caso ele não desse o que queria. Alguns dias depois da ameaça, o ex afirma que ela foi pedir desculpas e que os dois se separaram amigavelmente. Atualmente, ele garante que são amigos. “Ela sempre me ajudou. Ficamos casados oito anos e sempre foi uma pessoa boa. Quando o motor do meu caminhão quebrou, ela me telefonou e me deu de presente o conserto.”

O ex tem certeza da inocência da viúva. Ao encontrá-la após o crime, ela teria dito: “Eu sou inocente. Eu não sei por que estão fazendo isso comigo”.

Em Rio Bonito, a ex-cabeleireira é chamada pela população de caloteira e “171”. Segundo moradores, antes de se casar com Renné, Adriana deixava contas sem pagar. Vendedor diz ter entrado na Justiça para receber parte dos R$ 450 referentes a porta de ferro com vidro que a viúva comprou para seu salão de beleza. “Levei calote. O oficial de Justiça não achou a casa dela.” Vendedora de loja de bijuteria confirma a fama: “Ela gostava de comprar fiado. Era difícil de pagar. Ficou me devendo R$ 8,90”.

Fonte: O Dia