Rio - O depoimento de Creuza Ferreira Almeida, mãe de Adriana Ferreira Almeida, viúva do milionário da Mega-Sena, Renné Senna — morto há um mês em Rio Bonito —, reforça a tese da possível participação no crime dos cinco ex-funcionários da vítima que estão presos. As declarações apontam ainda para envolvimento do grupo na morte de David Vilhena, ex-segurança do milionário, executado em setembro na Ilha do Governador.
As informações foram dadas pelo titular da Delegacia de Homicídios (DH), Roberto Cardoso, que esteve ontem na fazenda de Renné, onde tomou depoimento da mãe da viúva e ouviu funcionários informalmente.

Cardoso não quis revelar o que Creuza disse sobre a filha. Ele falou apenas que ela ainda trabalha como empregada doméstica. “Ela disse que Souza (Anderson Silva de Souza, ex-chefe da segurança do milionário) brigava muito com David pelos cuidados com Renné. E revelou acontecimentos na fazenda anteriores à morte de David”, disse, sem dar detalhes.

O delegado e equipe ficaram quase sete horas na fazenda tentando imprimir o depoimento de Creuza para que ela assinasse, mas não conseguiram por não haver equipamento. Ontem, a irmã de Adriana, Valéria Almeida, em depoimento na DH, contradisse declarações prestadas pela viúva.

Contradição com relato de Adriana

O depoimento de Valéria Almeida, irmã de Adriana, ontem na Delegacia de Homicídios, no Centro, voltou a colocar as declarações da viúva prestadas à polícia em xeque. Valéria revelou aos investigadores que, no dia do assassinato de Renné, Adriana deixou a fazenda duas vezes. Mas a viúva dissera que havia saído de casa uma vez para fazer compras. “Quero saber quem está mentido”, disse o delegado Roberto Cardoso. As irmãs deverão ser colocadas frente a frente.

Segundo Valéria, na primeira vez que deixou a fazenda, Adriana demorou na rua. Quando voltou, perguntou por Renné, que havia saído para o bar, onde foi morto.

Logo depois, a viúva saiu avisando que faria compras. A polícia suspeita que Adriana possa ter dito aos criminosos o destino do marido. “Vamos ao local do crime e ouvir Adriana”, disse o delegado. Novos mandados de prisão podem ser pedidos à Justiça. Valéria começou a ser ouvida às 15h30, mas até 22h continuava na DH. Ao ser informado das declarações dela, Roberto Cardoso, que estava em Rio Bonito, retornou à delegacia.

Dinheiro da filha seria desviado

O dinheiro que o milionário Renné Senna, 54 anos, mandava o irmão Miguel Senna, 48, depositar mensalmente na conta de sua filha, Renata Almeida Senna, 25, estaria sendo desviado. A descoberta, segundo um corretor de imóveis e amigo da família, que prestou depoimento na DH, teria motivado a demissão de Miguel do cargo de administrador de bens do ganhador de R$ 52 milhões e despertado nele sentimento de vingança.

Inconformado com a demissão, Miguel e a mulher, Maria da Penha, que tinham um salário de R$ 5 mil, teriam pedido ao milionário uma “indenização” de R$ 300 mil antes de deixar o cargo, o que foi acatado pelo milionário. A testemunha contou ainda que Miguel teria levado de Renné os documentos de uma Pajero, que foi colocada em seu nome, porque o ex-lavrador não queria que descobrissem na cidade que havia ganho na Mega-Sena. “Ele levou os documentos e depois ficou ligando para o Renné querendo negociar a entrega deles. A exigência era mais dinheiro”, contou o corretor.

Fonte: O Dia