Flávio Azevedo
Apesar das autoridades de saúde do município não confirmarem, o professor Carlos Alberto de Moura Machado, o professor Betinho, de 66 anos, morador da Cidade nova, é por enquanto o primeiro caso de dengue hemorrágica de Rio Bonito. A doença foi confirmada pelo Centro de Saúde São Gonçalo, onde ele ficou internado durante cinco dias, sendo dois deles no Centro de Terapia Intensiva (CTI).
Entre os dias 18 de fevereiro e 31 de março, o Hospital Regional Darcy Vargas, de Rio Bonito, notificou à Secretaria Municipal de Saúde, que foram atendidas na sua emergência, 130 pacientes. Desse total, 106 atendimentos foram tratados como suspeita de dengue e nos demais 24 pacientes, a doença foi confirmada após a internação. Desse número, 15 deles são pessoas de outros municípios que foram atendidas em Rio Bonito. As pessoas chegaram queixando-se de sintomas como dor de cabeça, febre, dor no corpo e cansaço.
O Parque Indiano era, até a semana passada, a localidade com o maior número de casos notificados, 27, que somados aos de Basílio (3), Parque das Acácias (3), Parque da Luz (1) e Braçanã (2), localidades vizinhas ao Parque Indiano, totalizam 35 pessoas infectadas, ou seja, 30,43% dos 115 casos registrados no município. Já o Centro da cidade, juntamente com os bairros que o circundam, como Serra do Sambê, Caixa D’Água e Mangueirinha, registrava 32,17% dos casos, com 37 pessoas com a doença. Em todo município, 72 casos (62,60%), estão nessas duas regiões. A reportagem do Jornal Folha da Terra não teve acesso as informações da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), porque os programas dos computadores estavam sendo atualizados pela Secretaria Estadual de Saúde. A Secretaria Municipal de Saúde é responsável por repassar as notificações da doença para a Secretaria Estadual de Saúde.
De acordo com o professor Betinho, ele foi internado no hospital Regional Darcy Vargas (HRDV), no dia 18 de março, para ser transferido dois dias depois para São Gonçalo, porque o HRDV não dispunha de recursos para cuidar do caso mais grave da doença. Betinho contou que suas plaquetas chegaram a 17 mil unidades, quando o normal é de 150 a 350 mil plaquetas por microlitro de sangue.
Rio Bonito sem estrutura para atender casos de Dengue hemorrágica
A Secretária Municipal de Saúde, Mônica Figueiredo Moraes, anunciou que a partir da próxima segunda-feira (16), o município terá o seu próprio laboratório para atender a população. De acordo com ela, ele funcionará nas instalações do Ambulatório Municipal Manoel Loyola, onde funcionava o almoxarifado. Ela informou ainda, que o laboratório por enquanto só fará exames de plaqueta, ou seja, somente atenderá os casos de suspeita de dengue, que segundo a secretária é uma situação emergencial. “A população pode ficar tranqüila, que em breve nós vamos realizar também os demais exames”, revelou.
No HRDV, o administrador da instituição Lupércio Lopes, contou que o hospital tem atendido a todas as pessoas que chegam à emergência. Ele também disse que apesar do HRDV ter um laboratório funcionando 24 horas, ele não está aparelhado para realizar os exames de dengue (sorologia). “Os exames são feitos em outro laboratório. Mas o maior problema, é que nós estamos assumindo uma conta que não é nossa”, disparou Lupércio, que também comentou o fato do HRDV não dispor de atendimento para os pacientes que estejam com dengue hemorrágica.
– Como todos sabem o hospital não tem CTI, por isso, os pacientes que estão no quadro agudo da doença precisam ser transferidos para as unidades que tenham recurso, por que nós não estamos aparelhados para atendê-los – disse o administrador.
Estratégias para combater o Aedes
No último dia 4, duas representantes da Secretaria Estadual de Saúde realizaram uma palestra informativa no auditório do Centro Odontológico de Rio Bonito (CORB), para os integrantes de todos os programas da SMS. Desde a última segunda-feira (9), os bairros mais atingidos pela dengue receberam um mutirão de combate a doença. As localidades foram: Parque das Acácias, Parque Indiano, Rio do Ouro, Rio Vermelho, Bela Vista, Cidade Nova, Mangueirinha, Paineiras, Serra do Sambê e Caixa D’Água. O mutirão será concluído hoje, na Praça Fonseca Portela, onde a equipe da SMS vai atuar no Centro da cidade. O evento contará com a participação de membros da Secretaria Estadual de Saúde. A Secretária Mônica Figueiredo, disse que além de combater o mosquito transmissor da Dengue, o Aedes aegypti, o foco principal da campanha está sendo orientar e conscientizar a população Riobonitense.
– O mutirão está sendo uma ação da Secretaria em conjunto com a população. Todos os segmentos da Secretaria estão envolvidos. Agradecemos aqueles que estão abrindo as suas casas para que nossa equipe possa executar suas funções de maneira eficiente, pois só assim será possível alcançar os nossos objetivos – disse a secretária.
População tem que ajudar
O Coordenador do Programa Municipal de Combate a Dengue (PMCD), Aluizo Mendes de Araújo, o Mobral, ressaltou a importância da participação da população no combate ao mosquito Aedes aegypti. “As pessoas precisam saber, que mosquito da dengue é urbano e vive dentro de nossas casas, para se proteger dos seus predadores. Além disso, ele não ataca à noite, só durante o dia. A população desconhece essas informações”, disse Aluizo Mobral, que revelou as dificuldades encontradas pelos funcionários do programa.
– No Edifício Solar das Malacachetas, no Centro da cidade, os agentes são impedidos de entrar, e quando conseguem, são proibidos de subir para colocar o veneno contra o mosquito nos apartamentos – revela Mobral, explicando que “todo o membro da nossa equipe tem uma identificação de funcionário do PMCD, por isso os moradores e os síndicos devem solicitar essa identificação, mas impedir o acesso da nossa equipe é ajudar na proliferação do mosquito”.
Sobre a utilização do fumacê, o Coordenador do PMCD, comentou que ele não pode ser usado indiscriminadamente. De acordo com ele, o fumacê é eficiente no combate ao mosquito adulto, mas a preocupação principal é com o “cabeça de prego”. “O veneno usado no fumacê é prejudicial ao meio ambiente, por exemplo, ele também mata as libélulas (insetos conhecidos como lavadeiras), que são os principais predadores das larvas do mosquito”.
Dicas de como evitar a proliferação do mosquito
Como é praticamente impossível eliminar o mosquito, é preciso identificar objetos que possam se transformar em criadouros do Aedes. A fêmea do inseto põe seus ovos em água limpa, parada e na sombra. Dentro de 10 ou 12 dias, nascem os novos mosquitos. Se a fêmea estiver infectada, os ovos darão origem a mosquitos já infectados, o que possibilita que a doença se espalhe com maior rapidez. Para evitar essa proliferação, algumas recomendações devem ser seguidas:
- Retire a água de vasos de plantas e encha os pratinhos que ficam sob os vasos com areia; Mantenha os baldes e garrafas com a boca virada para baixo; Tampe tonéis e depósitos de água; Feche e tampe as caixas d’água; Procure desentupir as calhas; Retire a água das lajes; Coloque pneus velhos em local coberto; Coloque areia em cacos de vidro de muros.
De acordo com estatísticas do Ministério da Saúde, em 90% dos casos, o foco do mosquito está nas residências.