Flávio Azevedo

A expectativa de conseguir uma vaga de trabalho no Pólo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ), e o reconhecimento do curso pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), fez com que o Curso Técnico de Mecânica do Colégio Municipal de Ensino Médio Dr. Márcio Duílio Pinto (CMEMMDP), de Rio Bonito, se tornasse um dos mais procurados pelos alunos, superando inclusive, o curso Técnico de Enfermagem que durante anos foi o primeiro no ranking de procura.

A turma do primeiro módulo desse ano, é formada por 36 estudantes Riobonitenses, e 13 de municípios vizinhos, sendo dois de Itaboraí, cinco de Tanguá e seis de São Gonçalo, num total de 49 alunos. Eles têm faixa etária entre 25 e 35 anos, e possuem um único objetivo: conseguir uma das cerca de 200 mil vagas de emprego que serão criadas com a instalação do COMPERJ.

É o caso do mecânico automotivo Flaviano Vieira, de 30 anos. Morador de São Gonçalo, o estudante contou que gasta R$ 120 por mês para vir estudar em Rio Bonito, mas disse valer a pena. De acordo com ele, o único curso de Técnico de Mecânica da região em que ele mora, não é em São Gonçalo, mas no Senai do Barreto, em Niterói. Para estudar naquela instituição, o estudante teria que desembolsar por mês, R$ 350 reais.

– Muita gente não sabe que o Curso de Mecânica do Senai é pago, R$ 230 de mensalidade. Além disso, o estacionamento custa R$ 120 por mês, que somado ao combustível e o lanche, faria com que eu desembolsasse R$ 350. Já aqui em Rio Bonito, o curso é gratuito, não se paga estacionamento, e o lanche é no refeitório do colégio – brincou o estudante, que contou que ele e os amigos gonçalenses viajam de carro, e dividem o gasto do combustível.

O vendedor Luiz Washington, de 33 anos, disse que soube do curso ao ler o Jornal Folha da Terra e que as aulas estão correspondendo às expectativas. Ele também ressaltou que “a interação entre os jovens de diferentes municípios é importante, porque favorece a troca de experiências e enaltece o nome da cidade”.

O professor do curso, Francisco Calil, destacou que essa turma é diferenciada. Ele disse que a empolgação e o empenho demonstrados pelos alunos, servem de estímulo para os professores. Ele lembra que geralmente nas primeiras provas, muitos alunos desistem do curso. O comentário do professor é comprovado pela secretaria do colégio, que informou que no ano de 2005, a turma de mecânica começou com 51 alunos, mas apenas 16 se formaram no ano seguinte. Já a turma que iniciou em 2006 com 55 alunos, hoje possui apenas 13 alunos.

O reconhecimento do CREA

De acordo com a diretora do colégio Mary Lucy Pereira da Fonseca, a partir de 1999, empresas como a Petrobras, passaram a contratar apenas profissionais formados em cursos reconhecidos pelo CREA. Como o curso de Rio Bonito ainda não tinha esse certificado, a nova direção procurou adequá-lo às novas exigências para que os alunos não fossem prejudicados. Uma nova grade curricular foi confeccionada e encaminhada para o CREA, que não aceitou a proposta.

A diretora então, decidiu fazer contato diretamente com o CREA para tentar resolver o problema.

– A pessoa que me atendeu, disse eu tinha que cumprir três exigências. Em primeiro lugar, montar a grade juntamente com um engenheiro, porque esse é um profissional que possui conhecimento específico. Em segundo, precisávamos ter um coordenador para o curso, que fosse engenheiro mecânico. E em terceiro, que todos os professores específicos do curso possuíssem ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), que é o registro do registro do contrato do profissional junto ao CREA – contou a diretora, acrescentando que a solução ficou mais fácil a partir daí.

– Pedi ao professor Francisco Calil, que é engenheiro eletricista, que me ajudasse a montar outra grade, e ele montou a parte técnica e eu a pedagógica. O município contratou o engenheiro mecânico Arnaldo Gaio, conseguimos a ART para todos os professores e tudo foi resolvido em 30 dias – concluiu Mary.