Guilherme Duarte
O policial civil André Henrique Castanheira Vera Cruz, de 35 anos, lotado na 119ª DP (Rio Bonito), foi morto após ser baleado por um motociclista que esbarrou no espelho retrovisor do seu carro, na noite do último dia 7, em Marambaia. O agente foi atingido por dois tiros, um na virilha, que atingiu a veia femural, e no braço esquerdo. André ainda foi levado ao Hospital Estadual João Baptista Cáffaro, em Manilha, mas como apresentava quadro forte de hemorragia, não resistiu e morreu. Ele foi enterrado na tarde do último sábado no Cemitério de São Gonçalo.
Acompanhado da namorada Michele Nascimento Silva, de 23 anos, moradora de Rio Bonito, e de seu enteado de cinco anos, o policial havia deixado a casa do pai, no Engenho Pequeno, no mesmo município, e dirigia uma Uno branca (placa KMP 9273, Duque de Caxias) pela Estrada da Conceição. Na via, Roger Chagas, que guiava uma moto Yamaha XT vermelha (placa LNP 3559, Rio de Janeiro), atingiu o retrovisor do automóvel. Para não ficar no prejuízo, André Castanheira iniciou uma perseguição ao motociclista, que, poucos metros adiante, desceu do veículo e começou a atirar com uma pistola 9mm Rugger. Dos cinco disparos, dois acertaram o policial: um na virilha, que atingiu a veia femural, e outro de raspão no braço esquerdo. O policial, por sua vez, ainda conseguiu balear Roger, na axila direita.
Poucas horas depois do crime, Roger Chagas, de 22, acabou preso, sob acusação de ter feito os disparos, sendo levado para a 74ª (Alcântara). Roger foi encontrado por policiais militares do 35º BPM (Itaboraí) no sótão da casa de seu pai, na Rua 16 do Conjunto do BNH, em Marambaia. Na residência, os PMs disseram ter encontrado duas armas enterradas no jardim, uma seria a usada no crime e a outra uma Glock.
Policial de 1ª linha
André era querido por todos na 119ª DP (Rio Bonito). Os amigos de profissão sentiram muito a perda do colega. “Ele era um rapaz muito educado, um excelente colega e um ótimo profissional. O André não tinha nenhum tipo de distinção, atendia a todos da mesma forma. Sempre cumpriu com suas obrigações, um policial e uma pessoa nota 10. Eu tinha um enorme carinho pelo André, foi uma perda muito grande. Para resumir, ele era um policial de primeira linha”, afirmou Paraíso, um dos policiais mais antigos da 119ª DP.
Relacionamento recente
Há cerca de dois meses, André iniciou um relacionamento com Michele Nascimento, com quem pretendia se casar. No momento do assassinato, Michele estava no banco do carona e seu filho dormia no banco traseiro do carro. “Foi uma cena horrível. O André não teve tempo de fazer nada. O rapaz desceu da moto e veio andando em direção do nosso carro já com a arma em punho. André chegou a falar ‘que isso cara, vamos resolver de outro jeito’, mas o assassino não quis conversa e foi logo atirando em nossa direção. Eu me abaixei e só vi quando o André já estava do lado de fora do carro tentando acertar o rapaz, que conseguiu fugir. Em seguida, André virou para mim e falou ‘tomei, me leva para o hospital’. Passei para a direção, mas no nervosismo afoguei o carro. Graça a Deus um homem, que passava no local, me ajudou e em menos de dois minutos chegamos ao hospital, mas infelizmente ele não resistiu”, lamentou Michele.
“Ele era o amor da minha vida, a pessoa que escolhi para passar o resto dos meus dias. Era um namorado perfeito, super carinhoso comigo e com meu filho. Estou sentindo falta dele ao meu lado, a saudade é muito grande. Os dois meses que passamos juntos correspondem há uma eternidade. Agradeço muito a Deus por ter colocado o André no meu caminho. Ele só me deixou lembranças boas”, revelou Michele.