Evaldo Nascimento

Preocupada com o registro no Município de alguns casos da doença conhecida como “Anemia Infecciosa Eqüina (AIE)”, considerada a “Aids Eqüina”, a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Pesca (Semaap) de Silva Jardim está cadastrando todo o rebanho de equídeos e alertando os proprietários sobre a necessidade de realização dos exames laboratoriais para detectar a moléstia. O Secretário Ozéias da Betel adianta que o objetivo é saber quantos e como estão os eqüinos, e que vem aproveitando o período de vacinação contra febre aftosa e raiva para fazer o contato direto com os criadores e orientá-los quanto ao risco de contaminação. A decisão sobre o cadastramento foi tomada no último dia 28, quando a Secretaria promoveu um encontro com criadores, proprietários de eqüinos e produtores rurais, na sede da Secretaria municipal de Turismo, a fim de falar-lhes sobre o assunto.

-- Já fizemos inclusive contato com a Pesagro para tentar viabilizar a realização dos exames – adiantou o Secretário Ozéias da Betel.

Durante o encontro, o zootecnista Paulo Henrique Moraes, da Superintendência de Defesa Agropecuária de Rio Bonito, disse que a preocupação é muito grande devido ao número de casos positivos na Região e que a doença, como a Aids, é causada por um vírus e também não tem cura (não existe tratamento específico nem vacina). Além disso, a atual legislação sanitária não obriga os criadores a submeterem seus animais (cavalos, éguas, burros, mulas e jumentos) ao exame; nem a permitir que eles sejam examinados pelo Serviço Sanitário, embora a enfermidade seja de notificação obrigatória, e os exames devam ser feitos regularmente.

O Secretário anunciou, entretanto, que todos os animais apreendidos nas ruas serão levados para exames. De acordo com as recomendações sanitárias, os animais que apresentam resultado positivo devem ser sumariamente abatidos. Segundo o zootecnista Paulo Henrique, a transmissão da doença se dá através do sêmen e secreções contaminados nas relações sexuais (cruzamentos), por picada de insetos que se alimentam de sangue, agulhas, instrumental cirúrgico, arreios, esporas, bridões e cabrestos contaminados por animais soropositivos. Um dos principais transmissores é a mosca conhecida como “mutuca”, cujo controle pelos criadores é praticamente impossível. Os sintomas podem ser febre alta, falta de apetite, fraqueza geral e anemia, mas em muitos casos não aparecem indícios do mal. Ele adianta, no entanto, que a AIE não é uma espécie de zoonose (doença animal que pode ser transmitida ao ser humano).

Segundo recomendação do médico veterinário Rafael Badia Campos de Rezende, que também participou da reunião, uma das principais providências dos criadores antes de comprar um novo animal deve ser a realização do exame de sangue ou exigência dele ao vendedor, para evitar o risco de ficar no prejuízo ao descobrir posteriormente que o eqüino está contaminado. Ele acrescenta que os maiores ameaçados certamente são os grandes proprietários de haras, já que os que possuem poucos animais não se preocupam tanto, relutando inclusive em fazer os exames, com receio de confirmar a doença e perdê-los. No Município de Seropédica, por exemplo, já foram registrados 40 casos positivos num plantel de 63 cavalos de uma mesma propriedade. Eles apresentaram sintomas da doença depois da realização de cruzamentos com éguas de outros proprietários.

Entre os presentes à reunião, ainda, os proprietários e criadores, Luiz Antônio Buzinaro, Miguel, Sirley, Izái e Cláudia, além dos médicos veterinários Ricardo Oliveira e João Alysio (da Emater).

Como evitar o contágio

De acordo com um folder distribuído pela superintendência, os criadores devem tomar as seguintes medidas para tentar e evitar o contágio: sempre que adquirir novos animais, exigir o atestado negativo para AIE; confirmada a doença, os animais positivos devem ser isolados ou imediatamente eliminados; manter as baias limpas para evitar insetos; desinfetar os instrumentos ou equipamentos antes do uso; e usar sempre seringas descartáveis.

Segundo Paulo Henrique, os criadores devem também submeter a exame todo equídeo que necessite ser transportado entre diferentes municípios (os animais que servem de montaria estão livres dessa exigência); realizar exame de diagnóstico para AIE nos animais adquiridos em leilões, feiras e exposições; evitar participar de cavalgadas e outros eventos coletivos deste tipo, já que nessas ocasiões há muitas trocas entre os animais.