
O problema é o egoísmo
O sociólogo Karl Marx estudando a trajetória da humanidade percebeu um fenômeno que ele denominou luta de classes. De acordo com ele, esse embate acontece, porque existem dois grupos na sociedade. Marx acreditava que existem os dominantes, que vivem da exploração alheia, e os dominados, que apesar de lutar contra a exploração a que são submetidos, almejam ser iguais aos dominantes. A teoria marxista quase conseguiu desvendar o motivo da desigualdade social que assola o nosso planeta. Podemos dizer ainda, que Marx só não descortinou mais acertadamente o problema, por insistir em culpar a economia, que embora colabore para a formação das sociedades desiguais, não é a única responsável.
Muitos séculos antes, sob um olhar teocêntrico, o apóstolo S. Paulo escreveu uma carta a Timóteo, afirmando que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. O conselho de Paulo tem uma semelhança com a crença marxista, pois ambas as teorias engendram na mente das pessoas, o dinheiro e o capital, como os grandes vilões.
No entanto, dificilmente as pessoas analisam que as conseqüências nefastas, seja do dinheiro ou do capital – é preciso saber que capital e dinheiro são coisas diferentes –, estão atreladas a um sentimento que está intrínseco no gênero humano. Por incrível que pareça, esse sentimento é extremamente criticado quando visto em outros, por outro lado, defendemos ardorosamente quando praticamos. É, é ele mesmo... O egoísmo.
Os dicionários de Língua Portuguesa definem o egoísmo como: “amor próprio excessivo, que leva o indivíduo a olhar unicamente para os seus interesses em detrimento dos alheios”. Agora sim passo a explicar porque eu não culpo o dinheiro e o capital pela desigualdade tão bem detectada por Marx e por S. Paulo. Na verdade, se o sentimento natural ao homem fosse o altruísmo, o dinheiro seria a raiz para a solução de intrincados problemas. E o capital seria administrado por pessoas que pensassem unicamente no estado de bem-estar social.
Karl Marx, porém, não percebeu que grande parte dos dominados, não lutam com a intenção de minorar a desigualdade, mas sim, pensando em se apropriar das vantagens e privilégios comuns aos dominantes. Basta olhar as revoluções que ocorreram no mundo. Na França, os clérigos e nobres guilhotinados por ocasião da Revolução Francesa, em 1789, foram substituídos por novos governantes que apesar dos ideais de liberdade, fraternidade e igualdade, logo estavam se comportando da mesma maneira que os seus antecessores. No leste europeu, em 1917, houve a Revolução Russa, que foi uma das ferramentas que ajudou a criar a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. A pretensão era que o território se tornasse comunista, mas isso não aconteceu porque o egoísta Stalin queria se perpetuar no poder. Nunca é demais ressaltar, que o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, e a ditadura que assolou o Brasil, dez anos depois, foram acontecimentos que tiveram como pano de fundo, o egoísmo do norte-americano, que financiou o golpe militar.
Por isso, é que quando sentimos na pele a humilhação da desigualdade devemos nos perguntar: “o que eu faria se estivesse na classe dominante”? Aqueles que estão penetrando pela primeira vez na vida política com a pretensão de arejar o ambiente, deveriam perguntar para si mesmo: “hoje sou pedra, o que farei amanhã quando eu me tornar vidraça”? Para o cidadão comum, apresento duas situações corriqueiras que figuram em qualquer sociedade. A primeira: “qual a minha atitude, quando eu descubro que alguém me devolveu o troco com dinheiro a mais”? Já a segunda é mais problemática: “o que fazemos quando percebo um homem ou uma mulher casada flertando comigo”?