Flávio Azevedo

Com três feriados no calendário – Dia de finados (2), Proclamação da República (15) e Dia da Consciência Negra (20) – o mês de novembro fez a alegria da classe trabalhadora e causou apreensão na patronal. Apesar do grande número de pessoas que aproveitaram os dias de folga, sobretudo os feriados prolongados, Rio Bonito não pode parar. Muita gente não viajou e uma boa parte passou esses dias trabalhando. Nunca é demais lembrar, que na cidade de Niterói ainda teve um feriado municipal em homenagem a Araribóia, no último dia (22).

Um desses casos de trabalho ininterrupto é o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que nunca sai de operação por causa de feriados e datas festivas. O técnico de enfermagem Sérgio Domênico, de 40 anos, que atua na unidade de suporte básico do serviço, contou que “a vontade de ficar em casa existe, mas quando a pessoa escolhe esse tipo de profissão sabe dessas situações. Além disso, estou acostumado, porque antes de exercer a enfermagem, eu sempre trabalhei em farmácia, que é outro segmento que não pára”. Também lotado na base de Rio Bonito, onde atua na unidade de suporte avançado, o médico Emanuel Aguiar, de 30 anos, revelou que desde os tempos de universidade não aproveita um feriado. “Eu estou tão acostumado a essa rotina que não sinto falta. Eu nem sei quando é feriado. A família sente bastante a nossa ausência, mas é preciso trabalhar”, frisou o médico.

Junto desses profissionais podemos acrescentar o Corpo de Bombeiros, funcionários de hospitais de qualquer setor e os policiais. Todos fazem parte de serviços essenciais para a organização da sociedade e não podem parar. Mas existem pontos comerciais que também estão nessa mesma situação. As padarias e postos de gasolina, por exemplo. Na última terça-feira (20), na padaria Guimeshe, o gerente Sidnei Carvalho, de 42 anos, contou que há 18 trabalha em sistema de plantão e sempre perdeu feriados.

– Nessa padaria eu estou a há cerca de quatro anos, mas antes disso eu já estava acostumado a perder feriados e domingos, porque eu trabalhava em uma firma de segurança. Anterior a essa, eu trabalhava como porteiro. Ou seja, lugares onde feriado e fins de semana não existem – comentou Carvalho. Na mesma padaria, a balconista Vera Lúcia Guimarães, de 51 anos, disse que “eu sempre trabalhei no comércio e em lugares que não podiam parar nos feriados. Quando as pessoas estavam curtindo o feriado, eu sempre me imaginava no lugar deles, mas eu não reclamo, pelo contrário, eu sou grata ao comércio, porque foi através dele que eu criei meus filhos”, destacou.

Outro segmento que não pode deixar de funcionar é o posto de gasolina. O frentista do Posto Mug, Tairone Pedra, de 43 anos, trabalha nesse segmento há 27, e também não reclama do serviço. “Eu já estou calejado com o fato das outras pessoas estarem descansando e eu em atividade. Imagina que eu sou do tempo que o governo não permitia a venda de combustíveis nos fins de semana. Mas mesmo assim, nós trabalhávamos porque o posto oferecia outros serviços. E quando isso não acontecia, um funcionário era escalado para vigiar o estabelecimento”, destacou Tairone. Já o seu colega de trabalho, Deosilane Veríssimo, o Grande, que trabalha no mesmo posto há mais de 20 anos, contou que atualmente não dá importância aos feriados, mas quando era jovem ele considerava essa situação um fardo.

– Quantas vezes os meus colegas saiam para praia, para o Maracanã, para uma pescaria ou uma cachoeira, e eu não ia porque tinha que vir trabalhar? Muitos colegas de serviço daquela época não agüentavam e pediam demissão. Eu perdi muitas oportunidades de me divertir. Minha folga era dia de semana, então eu aproveitava esse dia para ir à Gávea ver o treino do Flamengo, porque eu não podia assistir aos jogos – ressaltou Veríssimo. “Depois que a gente se casa, as prioridades, as responsabilidades e as preocupações são outras, aí a gente esquece um pouco essas coisas”, concluiu o frentista.

Outro segmento que também não fecha são as bancas de jornal. Quem também ingressou nesse rol recentemente foram os supermercados. Com a intenção de aumentar o faturamento eles estão funcionando todos os dias da semana. Discorda desse pensamento o Lagos Supermercados. O gerente da loja de Rio Bonito, Paulo Henrique Souza, de 32 anos, afirmou que a política do Lagos é diferente de outros mercados, pois a direção da empresa prefere contar com funcionários descansados. “A política da empresa é não abrir em feriados e domingos. Achamos que os nossos empregados também merecem descansar. Além disso, o número de clientes aqui de Rio Bonito nessas ocasiões é muito pequeno e não compensaria abrir a loja”, concluiu o gerente.