Guilherme Duarte

Inconformados com a exoneração da diretora da Escola Estadual Desembargador José Augusto Coelho da Rocha Júnior (Colégio da Bela Vista), professores, alunos e pais de alunos realizaram, na tarde última quarta-feira (28), uma manifestação em frente ao prédio da Coordenadoria Regional de Educação Estadual, localizado no Colégio Estadual Barão do Rio Branco, no Centro. Os manifestantes tinham como objetivo entregar a Coordenadoria Regional Serrana 5 um abaixo-assinado contendo mais de mil assinaturas reivindicando a volta da diretora Regina Célia de Aguiar Dário e a retomada do processo eleitoral na escolha da diretoria da instituição.

Cerca de 500 pessoas participaram da manifestação, que começou no Desembargador, passou pela Praça Fonseca Portela e terminou em frente ao prédio da Coordenadoria. Quando chegaram ao local, os manifestantes foram impedidos de entrar no prédio e não conseguiram entregar o abaixo-assinado, o que revoltou a maioria dos alunos. “Isso é um absurdo. Estamos lutando pela democracia. Queríamos apenas entregar um abaixo-assinado e fomos recebidos como se fossemos uns bichos. Os próprios funcionários da Coordenadoria e do Colégio nos agrediram tacando giz, copos de água e bolinhas de papel. Além disso, eles liberaram alguns alunos para ficar nos insultando. Isso é lastimável”, desabafou uma aluna.

Os professores do Desembargador estavam indignados com a maneira como ocorreu a exoneração da diretora e pediam a volta do processo eleitoral. “Nós achamos que a política não deva definir nos rumos da escola. Queremos ser ouvidos, tem que haver diálogo. Nossa luta é pela democracia, nós mostramos aos alunos um conceito de democracia, mas os políticos fazem tudo diferente. Não podemos voltar ao tempo da ditadura, queremos participar dessa escolha. O problema não é com a pessoa que assumirá a escola, mas sim com a forma de escolha dessa nova diretora. Se existe a postura de cargo-político tem que ser uma política voltada para a comunidade”, afirmou o grupo, que ainda falou sobre a administração da antiga diretora. “Ela tem uma capacidade administrativa fora do comum. Uma pessoa bastante dedicada e dinâmica. Não existe nada que manche a gestão da Regina. O nosso colégio está entre os 10 melhores do estado. Ela promoveu várias melhorias na estrutura física da escola”.

Os alunos do 3º ano do curso Normal do Desembargador também estão revoltados com a “exoneração irregular” de Regina Dário. Algumas alunas chegaram a afirmar que se outra diretora assumir a escola elas mudarão para outro colégio. “Eles deveriam nos ouvir para saber o que a gente acha sobre esse assunto. Nós seremos os principais prejudicados nesse processo, pois estamos em época de prova e estão fazendo uma enorme bagunça na vida da gente. Nós podemos escolher quem vai governar o nosso país, mas não podemos escolher quem vai dirigir nossa escola? Queremos nosso direito. Estamos muito satisfeitos com a atual gestão, a Regina é muito competente e se preocupa com a gente. Tudo que ela faz é pensando no nosso crescimento. Se ela fosse ruim, ela não estaria aqui há 11 anos. Uma pessoa que está longe do nosso dia-a-dia não vai conseguir administrar uma escola do porte da nossa. Queremos escolher nosso diretor”, revelou Jurema Moraes Lemos, que foi escolhida pela turma para ser a representante.

De acordo com uma representante da Coordenadoria, os alunos não foram recebidos devido à maneira como eles chegaram ao colégio. “Os manifestantes vieram de uma forma não pacífica. Além disso, eles não nos comunicaram que iriam entregar um abaixo-assinado. Eles estavam bastante exaltados e os alunos aqui do Barão estavam fazendo prova, se nos liberássemos a entrada poderia causar algum problema. Quanto a acusação de agressão por nossa parte, isso não aconteceu.”, afirmou Patrícia Nunez de Paula, assistente da gerência de administração da Coordenadoria.

Onze anos de dedicação

Segundo a diretora Regina Dário, que estava à frente do colégio há 11 anos e foi eleita com 89% dos votos da comunidade escolar, o motivo da sua saída foi “exclusivamente político”. “Na verdade, eu já acreditava que isso iria acontecer, mas achava que seria no final do ano letivo para não prejudicar os alunos que estão em época de prova. Não vou compactuar com pessoas e coisas que eu não acredito. Tenho meus valores, jamais ia me sujeitar a fazer campanha política dentro da minha escola. Tenho certeza que não errei, se um dia eu cometi algum erro foi tentando acertar”, desabafou Regina.

A antiga diretora vem recebendo várias demonstrações de carinho dos alunos e professores. “Há 11 anos não tiro férias e não sinto falta. Eu sinto muito prazer em estar aqui. Deixo de viajar para me ocupar com as necessidades da escola. Essas crianças são como filhos para mim, o que mais me deixava feliz era ver a alegria deles em estudar aqui no Desembargador. Estou recebendo diversas demonstrações de carinho dos alunos. Uma aluna da 3ª série me deu um cartaz que dizia ‘Com amor! Regina você é a melhor diretora’. É isso que vou levar como lembrança”, afirmou a diretora.

Regina revelou que está saindo dá escola de cabeça erguida e que se houver eleição para a escolha da nova diretoria ela concorrerá para mostrar que a política não deve interferir na educação. “É triste ver que a política tem tanta força. E não estou falando em termos de município não, estou falando em nível de Brasil. Infelizmente nosso país é assim, temos que aprender a votar. Não se pode misturar política com educação. Político nenhum tem direito de mexer na educação. Eles devem trazer recursos e melhorias e não manifestar interesses próprios, indicando gente deles para assumir cargos tão importantes”, dispara Regina.

Bastante emocionada, Regina afirmou só ter boas lembranças dos 11 anos que passou à frente da escola. “Só posso levar boas lembranças da comunidade. Foram muitas alegrias nesses 11 anos. A população sempre me apoiou. Realizei várias melhorias e estou deixando a escola de cabeça erguida. Deixo estoque de material escolar e merenda até o final do ano, além do certificado de prestação de contas de todos os anos que estive aqui”, encerrou, com lágrimas nos olhos.