RIO - Dezenove pessoas foram presas nesta quinta-feira, durante a operação Uniforme Fantasma, feita pelo Ministério Público, com apoio da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado (Draco) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) em sete municípios do Rio. O objetivo da operação, que conta com 170 agentes, é desbaratar uma quadrilha acusada de fraudar licitações e desviar verbas públicas. Segundo o MP, as fraudes podem ter causado um prejuízo de R$ 100 milhões.
A Justiça de Magé, o núcleo da operação, expediu 28 mandados de prisão e 60 de busca e apreensão em 17 muncicípios do estado. De acordo com o procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira, pelo menos seis prefeituras estão diretamente envolvidas no esquema de fraude em licitações e desvio de dinheiro público: Magé, Santo Antônio de Pádua, Japeri, Paraíba do Sul, Rio Bonito e Antgra dos Reis. Segundo Marfan, em depoimento colhido na tarde desta quinta, um funcionário de uma das empresas envolvidas disse que a prefeita de Magé recebia pessolmente dinheiro no escritório da empresa e que o prefeito de Aperibé também era beneficiado com pagamento da mesma empresa.
Entre os presos, está a ex-secretária de Ação Social de Magé, Renata Tuler. Renata foi encontrada pelos policiais dentro de sua casa, no distrito de Fragoso. Com ela, foram apreendidos computadores e documentos. As equipes estiveram também na casa da secretária de Fazenda do município, Núcia Cozzolino. Ela é irmã da prefeita de Magé, Núbia Cozzolino. Eles também foram à casa de outro irmão da prefeita, Charles, que já foi prefeito de Magé. Ninguém foi encontrado.
Os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão dentro da prefeitura de Magé. Eles recolheram documentos e computadores, levados para a sede da Draco, no Centro do Rio. Os policiais receberam aplausos de pessoas que estavam em frente à prefeitura. Moradores elogiam a polícia e gritam "fora prefeita, turma de ladrão". Eles também pediram justiça.
Em Guapimirim, foi presa, segundo o telejornal RJTV, a empresária Patrícia Gonçalves Borreti. Na casa dela, foram encontrados R$ 200 mil em dinheiro. Foram detidos mais empresários, funcionários públicos e advogados.
A investigação foi iniciada há dez meses pelo MP com base em informação encaminhada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, sobre a existência de movimentações financeiras suspeitas de empresas que recebiam a transferência de quantias e faziam saques em valores elevados.
De acordo com o MP, a quadrilha fazia pagamentos de valores indevidos aos funcionários públicos envolvidos nas licitações para que as empresas ligadas ao esquema fossem vencedoras. Além disso, na entrega das mercadorias, servidores públicos integrantes da quadrilha recebiam produtos em quantidade e qualidade inferior à contratada.
Os promotores verificaram também que outra ramificação da quadrilha atuava no desvio de verbas públicas por meio da utilização de organizações não governamentais e organizações da sociedade civil de interesse público. Com a ajuda delas, eram comprados materiais hospitalares extremamente caros por diferentes municípios, com novo desvio de verbas públicas.
Fonte: O Globo