Nas duas últimas edições, o jornal Folha da Terra veiculou duas entrevistas bem interessantes. Na edição 358, o poeta e escritor Leir Moraes contou histórias e opinou sobre diversos assuntos de interesse público. Já na edição 359, o entrevistado foi o desembargador Carlos José Martins Gomes, que descreveu fatos importantes e expôs seu pensamento sobre vários temas. Entre os assuntos abordados por eles, um especificamente me fez refletir. O tema renovação. O curioso, é que ambos tocaram nesse ponto, enquanto falavam de política. Disse o poeta Leir Moraes: “Uma renovação é sempre salutar, principalmente na política, porque não se pode manter um cargo indefinidamente. Tem que haver um rodízio, que resulta conseqüentemente em uma renovação de idéias. Já o desembargador Carlos José fez o seguinte comentário: “já está na hora de deixarmos de lado os nossos interesses pessoais... Se nós continuarmos a optar pelo interesse pessoal, não iremos contribuir com a democracia. A sorte está com o eleitor... Que o direito de voto seja usado com consciência”.
Além dessas duas declarações importantes, no capítulo 12, verso 2, do livro de Romanos, São Paulo escreveu o seguinte: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente...”. Que bárbaro! Tanto no meio secular, quanto no religioso, a renovação é almejada, procurada e incentivada. Apesar disso, alcançá-la é difícil, e em algumas situações é até considerada uma utopia. Acontece que para realizar-se a tal renovação, seriam necessárias ações similares àquelas que já descrevemos, para solucionar o problema da desigualdade social. Aliás, é imperioso lembrar que buscar o novo pode significar a perda de privilégios. Ou seja, a velha classe dominante, que não está nem um pouco interessada em perder seus tradicionais privilégios, não moverá uma palha para que isso aconteça. Mas, e os dominados? É uma pena, mas, historicamente, quando os dominados conseguem migrar para a classe dominante, a primeira medida que adotam é o abandono das idéias renovadoras para não perder os privilégios recém-conquistados. Alguém se recorda disso, na história recente do país?
Porém, como estamos em um ano eleitoral – principalmente por se tratar de eleições municipais – penso que as opiniões dos nossos entrevistados são relevantes, e se praticadas poderiam conduzir Rio Bonito a uma nova era. Ou seja, está na hora de destinarmos o nosso voto, para aquele candidato que verdadeiramente promoverá a renovação. Mas para se alcançar essa utopia, os eleitores também precisam renovar sua forma de pensar, agir e acreditar. Isso significa renunciar a filosofia da “farinha pouca, meu pirão primeiro”, que é votar em troca da concessão de benefícios próprios e momentâneos. Inclui ainda, abraçar o sujeito que esteja empunhando bandeiras e propostas, que se colocadas em prática, certamente resultariam em benefícios duradouros à coletividade.
Alguns não acreditam, mas existem pessoas – e não são pobres – que somente procuram o político para alcançar uma benfeitoria particular (telha, tijolo, dentadura, exame, óculos, exame, dinheiro etc.), mas o esgoto a céu aberto, no portão da própria casa ele não notou. A escola dos filhos, que está em péssimas condições e sem professor ele não tomou conhecimento. A coleta de lixo irregular, ele ainda não observou. Sobre a insegurança, ele faz de conta que dorme de portas abertas todos os dias. Alguns cidadãos chegam a parecer crianças correndo atrás de doces no feriado de Cosme e Damião. Encontra o vizinho na esquina e avisa: “Você está sabendo? Fulano de Tal está dando. Vamos lá pedir?” Amigo leitor, nenhum desses pedintes se preocupa em sentar com o político que está “dando”, para conhecer os seus projetos. Sobretudo, para saber se eles são inovadores, viáveis e possíveis de serem realizados – no passado, um folclórico político prometeu trazer a praia de Saquarema para Rio Bonito.
Alguém poderá estar questionando essas observações e pensando: “mas eles não fazem projetos”! Ora, o sujeito não faz, porque nós não exigimos! Fazemos exatamente o contrário. Entregarmos a ele o nosso bem mais precioso – o voto – como se fosse uma mercadoria. Quando esse sujeito chega ao poder, o mal já está feito. Quando alguém lembra em quem votou e decide reclamar, a resposta do político é simples e verdadeira: “quando eu vou ao mercado e compro uma mercadoria, ela passa a ser minha. Como eu comprei seu voto, e paguei por ele, você não tem direito de reclamar, porque o seu voto agora é meu”! Parafraseando o desembargador Carlos José, a sorte está com o eleitor!