Flávio Azevedo

Depois de uma detalhada prestação de contas que retratou as inúmeras melhorias que têm sido realizadas no Hospital Regional Darcy Vargas (HRDV), ao longo de seis anos de administração, a atual diretoria foi reeleita na manhã do último domingo (9), para o exercício 2008/2009. Não houve disputa porque apenas a situação registrou candidatura. Tendo como suporte um data-show, o presidente da instituição Luiz Gustavo Siqueira Martins apresentou gráficos, slides e vídeos, para demonstrar as conquistas alcançadas e apresentar os projetos futuros. De acordo com Martins, “o Hospital Darcy Vargas nunca deixou de ser referência na região. Houve um tempo que a referência não era positiva, mas já recuperamos essa imagem negativa”, frisou.

Durante a explanação, o presidente destacou a forma de administrar da sua equipe. “Nós só contratamos quem virá trabalhar. Aquele está em busca de emprego não faz parte de nossos planos”. Outro ponto apontado por Martins é a participação da diretoria nas principais decisões da instituição. “Eu nunca decido nada quando estou sozinho. Sempre tenho alguém comigo nesses momentos. Esse é um padrão moderno e eficiente de administração. Não teríamos futuro, se o modelo utilizado fosse aquele em que o presidente decide tudo, e a diretoria só aparece nos dias de assembléia”.

A vitória do HRDV para alcançar melhores repasses dos planos de saúde foi uma das negociações apresentadas pelo presidente, que anunciou uma nova batalha: conseguir preços melhores da White Martins – fornecedora de oxigênio. “A White Martins cobra preços absurdos pelo produto que oferece. Além disso, a empresa utiliza um método condenável que é o cartel. Aliás, já entramos em contato com o Ministério Público e isso vai ter que acabar”, revelou o presidente, acrescentando que a dívida do HRDV com a empresa só será quitada “depois que essa situação for esclarecida e resolvida”.

O prefeito José Luiz Antunes, presente na assembléia, colocou-se a disposição da diretoria do HRDV para qualquer necessidade da unidade e destacou que “precisamos trabalhar juntos, porque somente assim alcançaremos vitórias”. Já a deputada Solange Almeida elogiou o empenho e o trabalho em equipe da direção da unidade. A deputada esclareceu que depois de conseguir a liberação de R$ 1,2 milhão para a compra de material de consumo, ela continua lutando para a liberação de outros recursos.

– Aquele repasse de 1,5 milhão que viria por emenda parlamentar não pode ser liberado via Ministério da Saúde, mas pode acontecer pelo Fundo Nacional de Saúde. Por isso, estou constantemente, lá em Brasília, tentando acelerar esse repasse – esclareceu.

A utilização do recurso visual foi elogiada por vários associados, porque segundo eles facilita o entendimento das informações passadas. É o caso do empresário José Cardoso Martins, que além de elogiar a apresentação, afirmou que “dessa maneira fica menos cansativo acompanhar a prestação de contas. Além disso, essa forma nos permite uma melhor compreensão do que acontece durante todo um ano de gestão”.

Esclarecimentos

Durante a prestação de contas, o presidente Luiz Gustavo Martins esclareceu que o ambulatório Romário Muniz não é gratuito conforme alguns acreditam. Além disso, o presidente também respondeu a crítica dirigida ao HRDV pelo colunista Luciano Lúcio, que na edição 365, do jornal FOLHA DA TERRA, afirmou que os cidadãos do município de Tanguá devem ser atendidos no HRDV, porque o hospital recebe para isso. De acordo com Martins, “Tanguá não tem nenhum convênio conosco. Não recebemos nenhum repasse ou recurso daquele município”, garantiu.

Quanto as críticas direcionadas a diretoria do HRDV, de que estaria sendo conivente por não exigir do prefeito José Luiz Antunes o repasse imediato dos R$ 100 mil que ainda faltam para completar R$ 150 mil prometidos, para a construção do Centro de Terapia Intensiva (CTI), o presidente da instituição declarou que ainda existe na conta do hospital que é destinada as despesas do CTI, um saldo de R$ 17 mil. “Por isso, nós ainda não cobramos o restante do dinheiro. Mas essa hora está chegando. Recentemente estivemos com o prefeito e ele nos garantiu que quando houver a necessidade, o dinheiro será liberado sem problemas. Essas pessoas críticas estão é querendo ver confusão entre o hospital e a prefeitura”, desabafou o presidente.

O que mudou

O presidente destacou que não houve apenas mudanças físicas, mas mudou-se a forma de administrar os setores da instituição, que é uma entidade filantrópica. O presidente destacou a mudança que aconteceu no setor de faturamento e revelou a existência de uma parceria entre a instituição e o Sistema Único de Saúde (SUS), onde o hospital recebe mensalmente um repasse de R$ 245 mil. “A nossa rentabilidade aumentou, mas existem metas qualitativas e quantitativas que devem ser cumpridas para que o contrato seja mantido. Se não cumprirmos as exigências, o repasse é reduzido. Porém, nossa meta é ampliar a arrecadação e não diminuir”, disse. Durante os seis anos de administração, todos os setores do hospital foram reformados. “Atualmente estamos trabalhando no nosso maior sonho, a construção do Centro de Terapia Intensiva (UTI)”, disse Martins.

O que pode mudar

Como o hospital está trabalhando com vários parceiros que exigem da instituição uma prestação de serviço cada vez mais qualificada e humanizada, o presidente da instituição revelou que uma ouvidoria será criada para que o usuário seja ouvido diretamente.

– Nossa intenção é fazer com que o usuário do hospital procure a instituição por ser a melhor opção e não porque é o único lugar que ele pode vir. Por isso, vamos criar uma ouvidoria, que vai contar com caixas de sugestão nos corredores do hospital, um e-mail só para esse fim, um telefone 0800 e câmeras que vão monitorar as atividades desenvolvidas no interior da instituição. O principal indicador para chegarmos a perfeição é saber a opinião dos pacientes – destacou Martins, voltando a afirmar que gradativamente a emergência do HRDV será desativada para que o hospital seja uma unidade exclusivamente hospitalar. “Nossa pretensão é tornar o Darcy Vargas uma instituição respeitada como o Hospital São José do Havaí, em Itaperuna. Aquele hospital é referência em cirurgias cardíacas e neurológicas e também é filantrópico”, acrescentou.

Parceria com Gerdau e Petrobras

Uma parceira estabelecida dia 22 de janeiro desse ano, em Belo Horizonte, entre a Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB) e o Fórum Nacional dos Programas Estaduais e Setoriais de Qualidade, Produtividade e Competitividade (QPC) poderá beneficiar o HRDV nos próximos dias. – As entidades lançaram o Programa Nacional de Melhoria da Gestão em Hospitais Filantrópicos, denominado de Mais Gestão e o projeto inicial deve contemplar cerca de 250 entidades de todas as regiões do Brasil. O investimento é da ordem de R$ 15 milhões e serão financiados pelo Instituto Gerdau e a Petrobras. A boa notícia é que do Rio de Janeiro foram escolhidos 10 hospitais e entre eles está o HRDV – anunciou o presidente.