Guilherme Duarte e Alfonso Martinez

Uma semana após o acidente que matou a jovem estudante Camila Machado, de 17 anos, outro grave acidente na BR-101 deixou mais uma vítima fatal. Desta vez, o acidente foi no km 260, sobre o viaduto do Rio do Ouro, há 4km de distância do primeiro, por volta das 18h40min da última quarta-feira (2). Além de Joana Maria da Silva, de 30 anos, que morreu a caminho do Hospital Darcy Vargas, mais cinco pessoas ficaram feridas.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o Santana placa KQH- 2073 (RJ), dirigido por Jorge Pereira dos Santos, de 67 anos, morador de Itaboraí, colidiu frontalmente com o Fiat Strada placa JQP-3326 (BA), guiado por Mário Manoel Cunha Moreira, de 30 anos, morador de Macaé. Apesar do forte impacto entre os veículos, os motoristas tiveram apenas ferimentos leves e foram encaminhados ao HRDV, de onde, horas depois, foram liberados.

Já os passageiros do Siena placa LSS-0246 (RJ), que vinha logo atrás não tiveram a mesma sorte. O motorista do veículo, Carlos Américo Vieira, de 37 anos, se assustou com o acidente, perdeu a direção e despencou de uma altura de cerca de 15 metros sobre uma vala. Além do motorista, estavam no Siena: Joana Maria da Silva, 30 anos, Ana Lúcia, 26 anos, e Priscila de Souza Pinto Moura, 25 anos. Joana, esposa de Carlos Américo, morreu a caminho do hospital. Carlos, com fratura nas pernas e escoriações pelo corpo, permanece na Unidade Intermediária (UI) do HRDV, mas não corre risco de morte. Ana Lúcia ficou internada até ontem (sexta-feira) na UI, quando foi transferida para uma enfermaria, pois seu quadro clínico se encontrava estável. Priscila Moura foi a única a ser encaminhada para o Hospital Municipal Desembargador Leal Júnior, em Itaboraí. Ela teve ferimentos leves e também foi liberada. Os quatro ocupantes do veículo residiam em Macaé.

Pista interditada

O trecho da rodovia sobre o viaduto precisou ficar interditado durante 2h35min, o que causou um engarrafamento de cerca de 5km em direção ao município de Campos. Quem trafegava em direção ao Rio de Janeiro pôde pegar um desvio pela Avenida Manuel Duarte até o Green Valley, na saída da cidade. O tráfego de veículos também ficou interrompido na Avenida Inguita, sob o viaduto, por cerca de meia hora, já que o Santana envolvido no acidente ficou preso na mureta, ameaçando cair e apresentando vazamento de gás. Com a chegada da PRF o tráfego foi parcialmente liberado até a retirada dos veículos, quando se normalizou. Bombeiros do destacamento do 20º GBM de Itaboraí, também foram ao local. Funcionários da Ampla também foram acionados, pois o Siena atingiu a rede de energia e deixou o local sem iluminação.

Resgate dramático

O resgate das vítimas do Siena foi dramático e durou mais de uma hora. Equipes do Corpo de Bombeiros de Rio Bonito, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), da Guarda Municipal, da Polícia Civil e da Polícia Rodoviária Federal participaram dos trabalhos. As equipes de salvamento tiveram dificuldades para resgatar as vítimas porque o veículo caiu de lado e sobre uma vala estreita. Com a ajuda de moradores da região e de um motorista que usou o carro para levantar com cordas o Siena, os bombeiros puderam retirar as vítimas, que foram içadas na maca com a colaboração de moradores, enquanto motociclistas ajudavam a iluminar o local.

Morador do local há cerca de 20 anos, Iracy Rodrigues de Oliveira, 67 anos, proprietário da Serralheria Rio do Ouro, revelou que já se acostumou com o grande número de acidentes que acontecem próximo a sua residência. “Sempre tem acidente aqui nesse local. Esse trecho é muito perigoso. Muitas vezes nos assustamos com o barulho das batidas e dessa vez não foi diferente. Eu estava trabalhando aqui na Serralheria quando ouvi o barulho. Quando fui ver o que tinha acontecido percebi que era mais um acidente, espero que com a privatização dessa rodovia o número de acidentes diminua”, disse Iracy, que trabalha e mora a menos de 30 metros do viaduto do Rio do Ouro.

O inspetor Marins, chefe da 5ª Delegacia de Polícia Rodoviária Federal de Rio Bonito, afirmou que o grande causador de acidentes, além das péssimas condições da rodovia, é a falta de educação dos motoristas. “A falta de educação dos motoristas também está contribuindo bastante para o crescimento do número de acidentes na região. Acredito que com a privatização desse trecho os acidentes vão diminuir em média 50%. Nós da PRF vamos cobrar da concessionária a colocação de placas de sinalização e redutores de velocidade nesse trecho. Já que a população vai pagar pela utilização da rodovia, no mínimo ela tem direito de trafegar com segurança”, declarou Marins.