Guilherme Duarte
O Centro Cultural do Comércio Lojista de Rio Bonito, em parceria com o Movimento Arte e Cultura (MAC), está apresentando, desde a última quinta-feira (5), a exposição “A Natureza de Krajcberg”. A mostra, composta por obras do artista Frans Kracjberg, não tem data para terminar e está aberta ao público de segunda à sexta das 10h às 12h e das 14h às 18h. O objetivo da exposição é despertar nas autoridades do município a necessidade da criação do Parque Ambiental da Serra do Sambê.
Ao todo, estão sendo expostas 20 obras de Frans Kracjberg. Todas com o mesmo tema: A Preservação da Natureza. De acordo com um dos organizadores da exposição, Marco Antônio Calil, a idéia de montar essa exposição surgiu após ele ter lido o livro de Frans Kracjberg que originou o nome da exposição, “A Natureza de Krajcberg”. “Adquiri o livro e gostei muito do que li. Daí surgiu a idéia de montar essa exposição aqui em Rio Bonito, que é um município muito carente na parte cultural. É impressionante a sensibilidade do Frans Kracjberg. Quem tiver a oportunidade de vir até aqui para ver essa exposição, com certeza não irá se arrepender”, afirmou Calil.
Ainda segundo Calil, a exposição faz parte de uma campanha que vem sendo feita há anos. “O primeiro passo foi criarmos uma ONG, que infelizmente nem existe mais. Depois, eu escrevi o livro ‘O mistério da Serra do Sambê – Uma Aventura Radical’, que vendeu cerca de 500 exemplares. Agora, estamos com essa exposição, que talvez seja itinerante. Os interessados podem ligar para o telefone 2734-0778 e agendar uma visita”, explicou Calil.
Frans Krajcberg
Frans Kracjberg, de 87 anos, é um dos expoentes mundiais do expressionismo abstrato. O artista transforma “restos mortais”, que recolhe nos cerrados e mangues, em obras de arte aclamadas mundo afora, o que lhe rendeu a descrição “Krajcberg - O Poeta dos Vestígios”, nome do documentário de 1987 dirigido por Walter Salles. Nascido na Polônia em 1921, foi naturalizado brasileiro em 1957 – ano em que ganhou o prêmio de melhor pintor nacional na IV Bienal de São Paulo - depois de aqui se exilar da Segunda Guerra Mundial.
Vivendo entre a Bahia e a França, o artista alterna sua moradia entre uma casa em cima de uma árvore na cidade de Nova Viçosa e um ateliê no fundo de um pátio florido em Paris, no bairro de Montparnasse, vizinho do museu chamado “Espaço Krajcberg”. Essa internacionalização reflete sua carreira. Em 1940, ingressou nos estudos de engenharia e na Academia de Arte em Leningrado, Rússia. De 1945 a 1947, foi estudar na Academia de Belas Artes de Stuttgart, na Alemanha, onde fez sua primeira exposição, no Centro de Refugiados; e logo depois, já na França, entrou em contato com Chagall e outros artistas da Escola de Paris. A ampla formação em arte lhe rendeu diversos prêmios nacionais e internacionais
Numa entrevista ao Jornal do Brasil, Krajcberg disse que sua arte não tem preocupações mercadológicas. “Minha arte representa um grito de revolta contra a devastação da natureza. As pessoas ignoram os desastres ecológicos. Nunca arrasaram tanto a Amazônia como agora. Acho que se deveria ter mais confiança para discutir esses problemas. O planeta precisa de paz e não mais de destruição.”
Exposição fixa: “A cidade vista daqui”
Além da exposição “A Natureza de Krajcberg”, O Centro Cultural do Comércio Lojista de Rio Bonito (CCCL) apresenta uma exposição fixa denominada “A cidade vista daqui”. São oito fotografias do Centro da Cidade tiradas de um morro atrás do prédio da Câmara de Dirigentes e Lojistas de Rio Bonito. As fotos são da década de 30 até os dias atuais. A estação ferroviária, a rua dos bancos e a Igreja Matriz ainda sem a torre estão entre as fotos antigas, em preto e branco, mostradas na exposição.