Guilherme Duarte
O que era para ter sido uma confraternização entre pais, alunos e professores da Escola Municipal Rômulo Tude, no bairro do Boqueirão, acabou se transformando numa confusão generalizada, que, por sorte, não deixou ninguém gravemente ferido. Uma simples Festa Junina, realizada no último dia 7 (sábado), nas dependências da escola, terminou com duas prisões, três tiros para o alto, espancamento e vandalismo. Segundo informações da Polícia Civil, a briga teria começado após um mal entendido entre o namorado da diretora da escola e uma mulher que participava da festa.
De acordo com o registro da 127ª DP(Búzios), delegacia de plantão no último fim de semana, o sargento Roberto da Costa Fernandes, lotado na 3ª Cia do 35ª BPM, e Rosemberg da Silva Santos, Policial Militar lotado na 5ª Cia do 12º BPM, foram presos e indiciados no artigo 15 da Lei 10826/03 (disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela). Os dois policiais foram presos e encaminhados para o Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica, subúrbio do Rio, onde ficaram presos por dois dias e depois foram liberados.
No comando da escola há 1 ano e meio, a diretora Marialva da Silva Figueiredo contou em seu depoimento ao delegado José Pedro Costa da Silva que a festa havia iniciado às 15h, mas a confusão começou por volta das 22h. Segundo ela, a confusão teria começado após seu namorado, que estava conversando com Bianca Silva Santos (prima da diretora), ter esbarrado num bambu que ao cair atingiu “levemente” uma mulher. A mulher, por sua vez, teria começado a gritar, dizendo que Rosemberg a estava agredindo. Ainda segundo relato de Marialva, seu namorado, Rosemberg, pediu desculpas a mulher, que não quis aceitar. “A partir daí, cerca de 10 pessoas da comunidade começaram a agredir Rosemberg e minha prima Bianca com socos e pontapés. Com a ação dos populares, Rosemberg caiu no chão e para não ser linchado sacou a arma e deu dois tiros para o alto. Assustados, os agressores teriam se afastado, mas começaram a tacar pedras nos dois. Foi quando o sargento Fernandes chegou ao local com uma arma em punho, efetuou dois disparos e deu voz de prisão ao meu namorado. Rosemberg se identificou como PM e jogou sua arma e sua carteira no chão, mas Fernandes o manteve sob a mira da arma durante 5 minutos até a chegada dos policiais”, disse Marialva, em seu relato na 127ªDP. A diretora contou ainda que quando foi até o seu carro constatou que todos os vidros estavam quebrados.
Mais detalhes
Nos depoimentos de Bianca e Rosemberg poucas coisas foram acrescentadas ao relato da diretora. Mesmo assim, Bianca afirmou que a briga teria começado após algumas crianças depredarem uma barraca. “Marialva chamou a atenção das crianças e pediu para que Rosemberg colocasse o bambu, que havia caído, no lugar. Sem querer, o bambu atingiu a mulher, que começou a gritar...” relatou ela. Já Rosemberg disse ao delegado que os disparos do sargento Fernandes teriam sido em sua direção e não para o alto.
Tiros ao lado de casa
Em seu relato na 127ª DP (Búzios), Fernandes contou que estava em casa quando ouviu os disparos. Além de Policial Militar, Fernandes é vice-presidente da Associação de Moradores do Boqueirão e por isso foi até o local ver o que estava acontecendo. “Quando cheguei na escola, que fica ao lado da minha casa, me deparei com um indivíduo com uma pistola calibre 38 nas mãos. Em nenhum momento ele se identificou como policial, por isso o mantive sob a mira da minha arma. Dei apenas um tiro de advertência (para o alto), queria entender por que eu fui preso. Fiz tudo dentro da lei, agi em legítima defesa de outras pessoas.
Trabalho há quase 30 anos aqui em Rio Bonito e nunca tive nenhum problema. Minha ficha é limpa, sempre fui honesto. A comunidade do Boqueirão está revoltada com esse episódio”, se defendeu o policial, acrescentando que “isso tudo aconteceu devido a venda de bebida alcoólica dentro da escola. Foi uma irresponsabilidade da direção”. Na última quarta-feira (11), no Centro da cidade, Fernandes, de volta ao policiamento, recebeu o apoio de várias pessoas, que faziam questão de cumprimentá-lo pela sua atuação. “Acho que evitei uma tragédia, pois alguém poderia ter morrido alí”, disse.
De acordo com informações da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, Marialva Figueiredo está afastada do cargo por decisão própria. Segundo uma funcionária da Secretaria, Marialva está se sentindo insegura para voltar para a escola e pediu para se afastar do comando. Bruna de Fátima Siqueira Cardoso, assistente administrativa da escola, assumiu interinamente o cargo de diretora da E. M. Rômulo Tude. Bruna foi escolhida como diretora, após reunião entre os funcionários da escola e a secretária de Educação Ana Maria Figueiredo.