ESTREITAR DE LAÇOS

Numa hora em que as pessoas andam tão desgarradas, nada se faz mais jus do que a preocupação pessoal. Nesse mundo moderno, o singular ganha espaço e o ser único domina sua vida como se estivesse somente em função de si; o outro é apenas “alguma coisa” paralela, nada de grande importância. Apenas representa algo forte quando se trata de violência ou competição. Nesses casos, logo se acende uma luz informando “perigo!”. Então, chega o momento de lembrar que existe o plural: pessoas, seres, adições, mutações que não dependem somente da força própria, mas existem vontades a serem compartilhadas. Para manter a convivência é necessário colaborar, frutificar, dividir, agir e reagir. Um movimento constante de forças e de corpos que realizam o tempo todo e, assim, não dá para “ser só”, precisa coexistir.

Dessa forma, a pessoa lembra que tem matéria humana e “aquela coisa” a seu lado se trata de alguém com as mesmas qualidades e defeitos que ela; carrega no peito desejos, traz na mente pensamentos bons ou ruins e, enfim, surge um (re)encontro de modo que o “estreitar de laços” faz com que as ligaduras permitam afetos que tornam desconhecidos amantes, afins. Essa justaposição torna o ambiente mais feliz e saudável. Que benefício teria os seres humanos sobreviverem tão separados? O calor humano ainda é um santo remédio para aliviar muitas dores.