Guilherme Duarte

Exatamente um ano e 5 meses após ter sido presa sob acusação de planejar a morte de seu marido, o milionário Renné Senna, a viúva Adriana Almeida ganhou a liberdade no fim da tarde da última segunda-feira (30), quando deixou o presídio Nélson Hungria, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. Adriana saiu do presídio por volta das 17h30 acompanhada de seu advogado, Jackson Costa Rodrigues, que afirmou que a ex-cabeleireira deverá passar os próximos dias na Fazenda Nossa Senhora da Conceição, em Rio Bonito, local onde vivia com Renné.

Na saída, Adriana estava sorrindo e procurando aparentar tranqüilidade. Apesar do longo período na cadeia, a ex-cabeleireira não descuidou da aparência. Ela estava com os cabelos louros retocados, brincos discretos, unhas feitas, calça capri jeans, sandálias rasteiras e uma camiseta com a frase “Love is my Jesus”, que significa “Jesus é o meu amor”. Na última quarta-feira (2), a reportagem da FOLHA esteve na Fazenda Nossa Senhora da Conceição, em Lavras, mas não encontrou a viúva. Um segurança, que se identificou como Márcio, disse que não sabia se Adriana estava ou não no local. Mas devido ao forte esquema de segurança, que não existia nos dias em que a viúva esteve presa, e a grande movimentação de pessoas no interior da casa, acredita-se que Adriana já esteja na propriedade.

Entenda o motivo da liberação

No último dia 26 de junho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia concedido habeas corpus a Adriana. A decisão foi tomada por unanimidade pela Quinta Turma STJ, que votou em acordo com a relatora, a ministra Laurita Vaz. A ministra considerou “constrangimento ilegal” da ré em função da demora do Tribunal do Júri em julgar o caso. Laurita ressaltou também que a sentença de pronúncia ocorreu há nove meses e não existe razão plausível para justificar o atraso. Adriana seria solta no sábado (28), mas não conseguiu o benefício em vista de outro processo que constava em sua ficha. Adriana é acusada de não revelar seu verdadeiro estado civil ao comprar um apartamento em Arraial do Cabo. Porém, o advogado Jackson Costa Rodrigues explicou que isso tudo não passou de um mal entendido. “Ela responde a um processo em Arraial do Cabo por falsidade ideológica. Há um tempo, o juiz daquele município pediu que ela fosse interrogada e foi feita uma requisição de réu preso. Acredito que por isso no sistema constava que ela estava presa pela Justiça de Arraial do Cabo, o que não é o caso. Ela estava presa pelo juízo de Rio Bonito”, explicou o advogado. Como não havia mandado de prisão nesse processo, Adriana pôde ser solta.
De olho no benefício, os advogados dos outros réus, acusados de participarem do crime, entraram na Justiça pedindo a extensão da decisão. “Se ela foi solta, os outros também devem ser”, disse o advogado Maurício Neville, que defende Anderson Souza, suspeito de ser o autor dos disparos que matou a vítima.

Promotor não concorda, mas respeita a decisão do STJ

O promotor Guilherme Macabu afirmou que respeita a decisão do STJ, mas não concorda com a alegação de que Adriana estaria passando por “constrangimento ilegal”. Segundo Macabu, a “demora” no andamento do processo acontece justamente por causa das estratégias adotadas pela defesa da acusada. “Ela estava com julgamento marcado para o dia 7 de agosto, mas a defesa recorreu e por isso ela ficou sem data para ser julgada. Acredito que os outros acusados de participar não conseguirão habeas corpus, pois estão com julgamento marcado”, explicou o promotor, acrescentando que um novo pedido de prisão preventiva para Adriana só poderá ser requerido se surgirem informações de que a acusada prejudica o andamento do processo