Alfonso Martinez

-- Estou achando maravilhoso isso aqui. É muito importante para resgatar e entender um pouco da nossa história, principalmente para as novas gerações. Foi uma excelente iniciativa porque é também um evento novo em Rio Bonito.

As palavras da professora Verônica Romagnoli, ditas enquanto observava, com olhos curiosos, os carros expostos no Iº Encontro de Veículos Antigos de Rio Bonito, no Mercado Municipal, na manhã do último domingo, dia 29, poderiam traduzir o mesmo pensamento das mais de duas mil pessoas que visitaram a exposição organizada pela Prefeitura de Rio Bonito, através da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer. O Encontro reuniu cerca de 200 carros, oriundos do Rio de Janeiro, Rio Bonito, Macaé, Saquarema, Búzios, Campos, Vitória, entre outras localidades, e proporcionou ao público presente uma viagem no tempo e na história.

Entre as raridades de quatro rodas expostas estavam modelos Ford das décadas de 20 e 30 de propriedade do empresário riobonitense Sebastião Willian Cardoso, mais conhecido como Ilo. Entre os carros do empresário -- todos eles aparentando ter saído de uma concessionária no mesmo dia, como lembrou um visitante da exposição --, estavam um Ford Pick-Up Close Cab (1931), um Ford Pick-Up Open Card (1927) e um Ford Deluxe Phaeton (1931). O empresário também expôs o Nacional Jeep, um pequeno Jeep construído pelo seu pai, José Cardoso, em 1954, que, com certeza, inspirou sua paixão por veículos antigos.

Sebastião Cardoso, de 57 anos, começou a colecionar carros há 31 anos.“A idéia surgiu depois que meu pai me presenteou com um carro que ele mesmo fez em 1954. No começo, pensei em doar esse veículo para um museu, já que era o primeiro veículo feito no Brasil com o maior número de peças produzidas no país, mas com o passar do tempo fui tomando gosto pela coisa e comecei a colecionar carros antigos. Não compro carros prontos, todos que tenho até hoje são restaurados”, disse o empresário.

De acordo com Ilo, “o evento foi muito bom, superou nossas expectativas. Mas o mais importante foi ver a grande aceitação do público que foi prestigiar o Encontro. Nosso objetivo foi totalmente alcançado, que era mostrar para as pessoas a história do automóvel. Foi um sucesso, e por isso acredito que novos encontros acontecerão aqui em Rio Bonito”, afirmou.

O Ford mais antigo

Entre os cerca de 200 veículos antigos que atraíram a curiosidade do público, um Ford Modelo T, de 1919, se destacava. Com acelerador manual e mudança de marchas no pedal, era o carro mais antigo do encontro. “Há 60 anos este carro está na família, passando de pai para filho”, lembrou o niteroiense Walter Moreira Carneiro Filho, assegurando que “esse carro não tem preço, seu valor está no coração”. O Ford, comprado pelo pai de Walter, em Santa Maria Madalena, em 1950, ostenta uma placa preta, concedida aos veículos que mantêm no mínimo 80% de originalidade, e por isso mesmo costuma ser requisitado para participar de novelas e minisséries na televisão.

Mas o dia não era apenas para os ‘velhos’ Fords. Os tradicionais e durões fusquinhas estavam lá para dar o ar da graça. O mais possante e descaracterizado era o de Nilton Saraiva, ex-instrutor de lanternagem do Senai que levou cinco anos para adaptar um velho Fusca 62, motor 1600, num Fusca Hot (quente) que foi uma das atrações do Encontro.

O advogado Aloir Alfradique, de 44 anos, um riobonitense que se divide entre a terra natal e Niterói, onde trabalha, trouxe para o encontro um Fusca 66 um 67. O primeiro já foi campeão de originalidade. “Ele é todo original, não tem transformação nenhuma”, disse, enquanto mostrava alguns acessórios como faróis auxiliares, bagageiro de época e pestanas “que não afetaram os 83% de originalidade que conferiram a placa preta ao carro”. Já no modelo 67, no estilo Hot, “a proposta é diferenciada, e ele é todo mexido”, explicou Alfradique, que disse participar de eventos do gênero em todo o estado.

Carlos Alberto de Pinho, do Auto Socorro Pinho, em Tanguá, também compareceu com um Fusca, apesar de reconhecer que “meu negócio é Jeep”. Ele assegurou que o carro é 80% original, “só o retrovisor direito e a capinha da lanterna não são originais”, enfatizou, afirmando que o carro estava a venda por R$ 15 mil. “Eu peguei esse carro mas não posso tratar dele como ele merece, então eu prefiro vender para quem cuide melhor”, ressaltou.

Jean Peres de Carvalho levou para o evento um Mercury Grand Marquis LS (um dos quatro modelos existentes no Brasil, segundo o proprietário), um vistoso importado destinado a transportar noivos em cerimônias de casamento, com direito a traje a rigor.

Um dos organizadores do evento, o assessor da secretaria de Esporte e Lazer, Ducler Gonçalves, disse que o encontro conseguiu atingir o objetivo. “O que mais me impressionou foi a reação do público. Vi vários idosos emocionados em poder ver veículos que marcaram época e fizeram parte da sua juventude. Muitos jovens também tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre os veículos clássicos. Agora, nossa intenção é colocar esse evento no calendário oficial do município”, pontuou ele. Durante o evento, o escritor Leir Moraes recebeu das mãos do prefeito José Luiz uma placa comemorativa.