
“O mundo precisa de homens que não se comprem e nem se vendam”
Eu não sei quantos acompanharam no Fantástico, da TV Globo, no último domingo (29) a história de Richard Eugene Hoyt, um americano que não mediu esforços para trazer felicidade ao filho Richard Eugene Hoyt Junior. O menino nasceu com o cordão umbilical enrolado no pescoço e isso causou danos irreversíveis a sua capacidade motora. Essa reportagem foi preparada pelo jornalista Tadeu Schmidt. Em minha opinião, trata-se de uma das mais belas histórias que a TV contou nos últimos anos.
Devido a esse acidente durante o nascimento, os médicos disseram ao pai: “Livre-se dele, porque será um vegetal o resto da vida”. Entretanto, a família decidiu tratá-lo como uma criança normal. A partir daí, pai e filho passam a protagonizar uma história comovente. Na escola, os professores também acharam que o menino não teria capacidade para aprender. Mas os cientistas desenvolveram um sistema de comunicação para Rick, que funciona com o movimento lateral da cabeça, o único que ele consegue controlar. Assim, Rick passou a escrever e se formou em educação especial na Universidade de Boston.
Depois que um outro menino da escola ficou paralítico devido a um acidente, uma corrida foi organizada para arrecadar dinheiro para o tratamento. Rick, apesar das suas limitações, decidiu fazer algo. E disse: “eu quero participar da corrida”. O pai, na ocasião, já tinha 40 anos e não era atleta. Mas participou com o filho empurrando a cadeira de rodas enquanto corria. “Embora as pessoas achassem que desistiríamos, nós percorremos a prova inteirinha. Chegamos quase em último, mas não em último”, brinca o pai.
A partir dessa primeira prova o pai começou a treinar decidido a participar com o filho de outras provas. Mas a recepção não era boa, sobretudo das familias que possuiam alguém com deficiências semelhantes. Um ano depois, participaram da primeira maratona. Cinco anos mais tarde veio a idéia do triatlo. Contudo, para vencer mais esse desafio Dick Hoyt tinha uma série de problemas. Primeiro, o equipamento. Não existia nada parecido no mercado. Outro problema, ele não sabia nadar. Mas a sua determinação era tamanha, que ele aprendeu a nadar sozinho e em nove meses participaram do primeiro triatlo.
A questão da natação estava resolvida, mas Dick não montava numa bicicleta desde os 6 anos de idade. Mas ele foi a luta com um equipamento quase seis vezes mais pesado que o dos outros competidores. Juntos, eles enfrentaram os mais incríveis desafios, entre eles, o ‘Iron Man’, no Havaí, o mais duro dos triatlos. São 3,8 mil metros de natação, 180 quilômetros de ciclismo e uma maratona no fim: 42,195 quilômetros de corrida, em mais de 13 horas de um esforço sobre-humano. De 1980 até hoje, a dupla participou de seis edições do ‘Iron Mam’. Eles também possuem no curriculo 66 maratonas. Os dois completaram 975 provas juntos, e jamais abandonaram uma sequer. “No nosso vocabulário não existe a palavra impossível”, garante o velho pai.
Depois da reportagem fiquei refletindo sobre a determinação daquele pai... Mas com certeza eu não fui o único. Acredito, inclusive, que quem não assitiu a reportagem no domingo, mas tomou conhecimento dessa história através desse artigo está impressionado. Confesso que pensei bastante na minha filha. Ela completou 1 ano e sete meses, no último dia 24. Fiquei imaginando: “que futuro está reservado para ela”? Mas eu gostaria de convidar você para refletir comigo: “qual será o futuro dos nossos filhos”? Será que você e eu, não estaríamos curtindo a vida em excesso, sem pensar no legado que deixaremos para as gerações futuras?
Bem, talvez você esteja na dúvida e querendo saber por onde começar, mas lembrando do exemplo de Richard Hoyt – ele começou a praticar esportes aos 40 anos – penso que está na hora de tomarmos decisões saudáveis em defesa dos nossos filhos e das gerações futuras. Finalizando, penso que a ocasião é essa, pois no dia cinco de outubro escolheremos as pessoas que cuidarão do nosso futuro pelos próximos quatro anos. Talvez o planeta não seja mudado, mas nossa visão de mundo pode ser transformada e/ou ampliada. Seria interessante se antes de qualquer decisão perguntássemos: O que estou planejando fazer com o meu voto? Quais serão as conseqüências da minha escolha? Quem estou pensando escolher, para dirigir parte do meu futuro e da minha família?
Na página 57, do livro Educação, da escritora norte-americana Ellen G. White, encontramos o seguinte texto: “A maior necessidade do mundo é a de homens. Homens que não se comprem e nem se vendam. Homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos. Homens que não tenham medo de apontar quem faz o mal. Homens que sejam tão fiéis ao dever, como a bússola é ao pólo. Homens que permaneçam firmes pelo que é reto”. Esse é o perfil ideal para um político. Mas será que eu, você temos esse perfil? É natural que queiramos encontrar no outro as virtudes desse texto. Mas façamos de maneira diferente. Vamos primeiro colocar em prática esses conselhos em nossa vida. Feito isso, poderemos ajudar o outro a praticar esses valores.