Evaldo Nascimento

Lula está no Partido Progressista (PP-11); PC agora é correligionário do partido do Lula (PT-13); e “dona” Ruth também vem como candidata a vereadora no Município nas próximas eleições. Calma, gente, não há nada de errado nessas informações. Estes são alguns dos nomes conhecidos e pitorescos da política nacional que fazem parte da relação de concorrentes à Câmara Municipal em Silva Jardim. São dezenas deles com menção a nomes dos lugares onde os respectivos postulantes residem, e a seus pais ou profissões, assim como a apelidos ou outros quaisquer artifícios que possam fazer com que os eleitores se lembrem melhor deles na hora de votar.

Vejamos alguns: Tio Jack (que não é o estripador, graças a Deus!), concorre pelo Partido Progressista (PP). Tudo bem, já que, apesar da idade, é um dinâmico motociclista; Dejair do Abaixo-Assinado, que pelo que o nome sugere deveria ser do Partido dos Trabalhadores (PT), também vem pelo Partido Progressista (PP). Tião (que não tem nada a ver com aquele macaco do zoológico do Rio de Janeiro que numa das últimas eleições foi bastante votado) integra ainda os quadros do PP.

Por falar em nome de bicho, tem, além disso, um candidato chamado Tatu, que é do PMDB-15 (tomará que ele não entre no buraco errado). Ainda bem que para qualquer emergência existem candidatos registrados como Vinícius Veterinário e Miel da Biovert (deve ser funcionário de uma empresa que produz medicamentos). E para completar a lista das referências à vida rural, que tal um Antônio da Oca? Além disso, aparece um simplesmente “Zil” (20), que talvez seja torcedor da Seleção do Brasil, sil, sil, sil...

Na relação afixada no cartório eleitoral aparecem nomes interessantes e paradoxais como “Mano Só” (será que ele espera que os eleitores se compadeçam da sua solidão); um Magal, que naturalmente não deve ter nada a ver com o rebolativo cantor de pré-nome Sidney, de “Sandra Rosa Madalena”, nos anos 80; Brechor (será que ele é dono de alguma loja de objetos usados?), e Batatada (tomara que, se eleito, nunca faça o que o nome sugere).

Porém, predominam os nomes que fazem referência a locais e/ou profissões. Na linha dos locais temos: Rose do Boqueirão, e, se tem a do Boqueirão, tem também a Roze do Caxito, bem como Janice do Imbaú, Marquinho de Cesário Alvim e Mauro da Cidade Nova. Na das profissões aparecem ainda Marquinho da Água (da concessionária Águas de Juturnaíba), Flávio da Rádio, Vamilton Peixeiro, Rogério da Banda, Rachel da Cultura, Márcio da Banca, Zulmar do Fórum, Júnior da Padaria (candidato a reeleição), Adir Enfermeiro, Adriana do PV, Adriana da Ambulância (a única mulher motorista de ambulância do Município, da Região e, quem sabe, do Estado e do Brasil -- dá-lhe Faustão!). E, talvez correndo literalmente por fora, Josemar Corredor (competidor de maratonas, residente em Aldeia Velha). Há, como vemos, locais e profissões para todos os gostos.

Ah! Cabe esclarecer que a Ruth do início do texto é a “Ruth do Samu” e não a recém-falecida esposa do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, assim como o “PC” é o PC da barbearia (Ih, inventei mais um nome de candidato com profissão), e não o famigerado PC Farias, tesoureiro da milionária campanha do ex-Presidente Fernando Collor. Quanto aos nomes que fazem referências aos pais, temos: o Presidente da Câmara e candidato a reeleição, Flávio de Dezinho, filho do Secretário municipal de Obras, José Brito Filho, o Dezinho original; e, se tem este, porque não pode haver também o Fernando da Cotinha que, suponho, seja filho de uma senhora por nome “Cotinha”?

Embora seu nome não se enquadre perfeitamente no rol dos “diferentes”, podemos citar ainda o candidato Nelson Pires Moreira, ou apenas Nelson, que outro dia nos confidenciou na rua ter ouvido dizer que só iriam se eleger mesmo os concorrentes mais abastados financeiramente, que “estivessem rasgando dinheiro”. Dinheiro do qual, naturalmente, um ex-vendedor de amendoim e atual produtor de eventos culturais, como ele, não dispõe. Mas, desculpe o trocadilho, companheiro Nelson, você pelo menos já tem “pires” no nome e pode colocá-lo com facilidade nas mãos. E para concluir, embora a lei diga que menor de 16 anos não pode votar nem ser votado, existe até um candidato “recém-nascido”: Neném Pires. Tá bom ou querem mais?