
Em cima do muro
Enfim começaram os comícios! E, junto com eles, uma enormidade de especulações. Entre elas, podemos citar a eterna discussão sobre quem foi o candidato que atraiu o maior público. Esse debate fica interessante e acirrado, principalmente entre os puxa-sacos, que enxergam 10 mil pessoas onde havia 100, ou 200 onde havia 2000 – isso depende da sua simpatia. Outra coisa que tem chamado a minha atenção, e acredito que a do amigo leitor também, é a mesmice dos discursos. Digo isso, porque tenho ouvido dos palanques as mesmas promessas de 20 anos atrás. Isso serve apenas para comprovar que estamos sendo tapeados durante todo esse tempo.
Uma das promessas mais irritantes que ouço é a vinda de uma faculdade. Afinal, essa conversa já existia quando eu cursava o ensino fundamental, na década de 1980. É brincadeira? Outro assunto chato é o tal do Plano de Cargos e Salários para o funcionalismo público, que vem sendo prometido há bastante tempo e nunca se torna realidade. Outro assunto que deveria ser proibido pela legislação eleitoral são os projetos que pretendem criar e apoiar o social. Ou seja, como diria o provérbio chinês: “dar o peixe e não a vara para pescar”.
Os tais centros sociais até funcionam, mas a maioria deles, em minha opinião, apenas estimula a acomodação e a pilantragem. Penso assim, porque no primeiro caso, é comum vermos os menos favorecidos satisfeitos com essas ‘esmolas’ que recebem para sobreviver. Já na segunda situação, infelizmente temos acompanhando com freqüência, inúmeros episódios de corrupção praticada por pessoas ligadas a projetos sociais ou organizações não governamentais (ONGs).
Muito me surpreendeu também, a ausência no palanque de certos nomes nessas primeiras rodadas de comícios. Aliás, há cerca de um mês, alguns candidatos afirmavam ter fechado com A, B ou C, mas logo no primeiro comício o sujeito era o mais animado no palanque que estava criticando recentemente. Esses, como já se definiram, vamos dar um refresco, mas essa galera que está esperando o desenho final da disputa eleitoral, para aí sim, meter a cara, penso que está agindo de má fé.
Essa situação me lembra da Guerra da Secessão, como é conhecida a Guerra Civil, que ocorreu nos Estados Unidos da América, entre os anos de 1861 a 1865. Dizem os historiadores que a abolição da escravatura motivou a guerra, porque enquanto os sulistas não queriam perder a mão-de-obra escrava, os estados do norte, ou confederados apoiavam a política abolicionista do presidente Abraham Lincoln.
Entre as muitas histórias da Guerra da Secessão, uma merece uma reflexão e uma comparação. Certo cidadão que morava na fronteira, possuía uma bandeira sulista e outra dos confederados. Diz o relato, que quando o exército do sul se aproximava, ele hasteava o pavilhão sulista. Mas quando ele via os soldados do norte se aproximando, ele desfraldava a bandeira dos confederados. Isso aconteceu por muito tempo, até ser descoberto, preso e enforcado.
Penso que alguns políticos se comportam como esse sujeito, pois não é difícil encontrar um cara levando o seu nome a leilão, em busca do velho e famoso “quem dá mais”. Esses elementos flertam com os postulantes ao Executivo, crentes que estão abafando, mas na verdade apenas demonstram o seu caráter corrompido e o tipo de postura que apresentarão no Legislativo se forem eleitos. Os comícios já começaram, mas eles não sobem no palanque de ninguém, pois esperam um pouco mais para estar ao lado do virtual vencedor. Podemos identificar isso como oportunismo, falta de brio e, sobretudo, nascedouro de futuras ilegalidades na política municipal.