Com o objetivo de ajudar os nossos leitores a votarem com mais consciência nas eleições de 5 de outubro, o FOLHA DA TERRA está transcrevendo as entrevistas concedidas pelos candidatos a prefeito de Rio Bonito, nos dias 17, 24 e 31 de agosto no programa “O Tempo em Rio Bonito”, da rádio Sambê FM (105,9). Eles responderam perguntas sobre todos os setores da administração municipal. O jornalista Flávio Azevedo sabatinou os três candidatos, que responderam as mesmas perguntas, por cerca de 2h30min. O primeiro entrevistado foi o vereador Reginaldo Ferreira Dutra, o Reis (PR), da coligação “O Melhor Para Rio Bonito”, seguido pelo deputado Marcos Abrahão (PSL), da coligação “Renovação Já”. Fechou a série de entrevistas o prefeito José Luiz Antunes, o Mandiocão (DEM), que busca a reeleição pela coligação “Quem Compara Vota”. Devido ao tamanho da entrevista, ela foi dividida em três edições. Confira a segunda parte.
Bem-Estar: Investimento na área de Bem-Estar Social não consiste apenas em distribuir sextas básicas às pessoas menos favorecidas. Aliás, isso, às vezes, torna o indivíduo ainda mais miserável e dependente do poder público. Como o senhor pretende atender efetivamente essas pessoas sem que fiquem dependentes e tenham dignidade para sobreviver através do seu próprio esforço?
Reis: Primeiro precisamos colocar na pasta, um secretário conhecedor da área, porque eu conheço a fundo as áreas carentes da cidade e estão esquecidas. Parece que o poder público quer que essas pessoas continuem dependentes dele. Eu pretendo resolver a situação fazendo um levantamento das famílias, para saber o que motiva essa situação. Geralmente a culpa é do desemprego, mas eu não posso admitir que um município que tem um orçamento de R$ 96 milhões tenha pessoas passando fome, sem moradia e sem saneamento.
Marcos Abrahão: Quando nós reformularmos as secretarias essa realidade muda. A pessoa precisa ser socializada, qualificada, ter um acompanhamento especializado e ser conduzida ao mercado de trabalho. Depois de cumpridas essas etapas a pessoa está pronta para andar com as próprias pernas, mas isso aqui é complicado, porque chegamos ao ponto de termos um caminhão distribuindo cestas básicas no Motorista Futebol Clube. O Ministério Público devia olhar isso de perto.
José Luiz: Ganhar é bom, mas produzir é melhor. Dignidade você tem quando se sente produtivo. Posso citar os nossos Centros de Referência e Assistência Social (CRAS), no Parque Andréa e no Parque das Acácias. Nesses locais, as pessoas recebem aula de artesanato, culinária, trabalhos manuais, entre outros. Essa é a maneira correta de oferecer dignidade ao nosso povo. E nós vamos ampliar e investir mais nesse projeto.
Funcionalismo: Um assunto constante nos palanques, mas nunca posto em prática é a implantação do Plano de Cargos e Salários do funcionalismo, que alguns chegam a dizer que é impossível de ser praticado. Segundo o presidente do SINSMURB, existe um plano pronto na mesa do secretário de Administração Djalma de Paula, faltando apenas a implantação. Como o senhor pretende fazer isso?
Reis: Esse negócio de ter projeto é uma história que estamos ouvindo há quatro anos. Já falaram em aumento para o servidor, concurso público e não chega nada na Câmara. No meu primeiro ano de governo, vou fazer o Plano de Cargos, Salários e Carreira, porque valorizar o servidor é preciso. Dizem que não dá... Que é impossível, mas alguém vai ter que dar um jeito. Nunca tentaram. Também vamos dar aumento, mas sem falar em percentual. Vamos providenciar plano de saúde e vou manter a comida do barracão, com café da manhã, o abono natalino para o contratado e vou oferecer transporte decente aos nossos trabalhadores, para que não fiquem viajando pendurados em cima de caminhão.
Marcos Abrahão: O plano de cargos e salários tem que existir. E tem mais, está enganado quem pensa que funcionário público não pode ser dispensado. Pode sim! Quem não estiver trabalhando da forma adequada, rua! Você abre concurso público para isso. Por outro lado, o funcionário tem que ser valorizado para que possa render 100% de sua capacidade. O funcionário tem que trabalhar direito, mas também tem que ser bem remunerado. O funcionalismo pode ter certeza que eu respeito o trabalhador. Chega de boquinha! Isso tem que mudar.
José Luiz: Antes de implantar o Plano de Cargos e Salários, nós criamos uma comissão para estudar o assunto. Inclusive, ela é composta por funcionários municipais. Mas o trabalho é demorado, porque quando for implantado tem que ser bom para o funcionário e bom para a prefeitura. Ou seja, queremos atender o funcionalismo, mas o município tem que agüentar bancar essa situação. Repito: não podemos agir pela emoção e sim com a razão.
Funcionalismo II: Outra queixa dos servidores é quanto a cursos de treinamento, qualificação e reciclagem. De acordo com eles, quando existe essa oportunidade, por motivos óbvios o escolhido é quase sempre um contratado. Porém, na troca do governo, o contratado vai embora e leva o conhecimento. Os efetivos afirmam que o município é lesado, porque o efetivo que continua no setor, não tem a especialização, e o contratado, vai embora e não tem como devolver o conhecimento. Eu queria que o senhor falasse sobre isso.
Reis: Eu vou continuar com os contratados e comissionados, mas também farei concurso público. Mas não é um concurso ‘Obina’ (jogador do Flamengo), igual estão fazendo aí. Porque o que estão fazendo é para cadastro de reserva, só para ficar bem com o Ministério Público e o Tribunal de Contas.
Marcos Abrahão: Se você tem funcionário público, porque não qualificar essa mão de obra? A situação dos contratados será analisada caso por caso. Quanto ao 13º salário, todos terão esse benefício. Os contratos precisam continuar, porque a máquina tem que funcionar, mas sem ‘boquinha’, porque a falta de recurso nasce dessa prática. Quem trabalha será mantido. O que não pode é ter funcionário em casa ou esquecido em uma sala por causa de política. Não interessa em quem ele votou! O que o funcionário precisa é desempenhar bem a sua função sem ser perseguido!
José Luiz: Isso não é verdade. Quando nós temos essa oportunidade damos preferência aos efetivos. Reconheço que não fizemos pelo funcionalismo tudo que queríamos, mas fizemos tudo que podíamos, principalmente em termos de remuneração. Porém, não podemos pagar mais do que recebemos. Por isso, temos que investir na qualidade de vida, no comércio e na indústria, para que a arrecadação aumente e nós possamos ter condições de valorizar os nossos funcionários.
Habitação: Existem pessoas em nossa cidade que moram em situações insalubres no 2º e 3º Distrito – 70 e Rato Molhado, respectivamente. Que política de habitação o senhor pretende implantar para atender essas famílias?
Reis: Pretendo buscar parcerias com o governo estadual e federal para fazer casas populares. Aquelas pessoas que tem renda igual ou inferior ao salário mínimo e pagam aluguel serão beneficiadas. A moradia será oferecida em concessão. A casa vai ser do município. Na hora que a pessoa quiser mudar, ele devolve a chave na Secretaria de Bem-Estar Social e vai embora. Tem também um projeto do governo federal, que cobra parcelas de 10% do salário mínimo a pessoa e depois de algum tempo a casa é do cidadão.
Marcos Abrahão: Não precisamos tirar essas pessoas de onde moram. O que é preciso é levar saneamento para essas localidades. O problema é a falta de investimento nessas localidades. Precisamos chamar o secretário de Obras e mandar que ele resolva. Feito isso, a pessoa é direcionada ao setor de Bem-Estar Social para ser acompanhada. Existe verba federal para solucionar esses problemas. Não adianta ficar fazendo obras no Centro e esquecer a periferia.
José Luiz: Infelizmente ainda temos pessoas morando nessas condições no município. Está no nosso plano de trabalho a construção de casas populares, com verbas que vamos buscar junto aos governos estadual e federal. Vamos construir um conjunto habitacional, mas fiquem tranqüilos, que será uma obra bem feita. Humilde, mas oferecendo dignidade ao nosso povo.
Cultura: Os integrantes de grupos teatrais e outros movimentos culturais da cidade, já há algum tempo reclamam a construção de um Teatro Municipal e a criação da Secretaria de Cultura, que vem funcionando junto com a pasta de Educação. Segundo eles, como a Educação sempre tem mais prioridade, a cultura fica sem orçamento. Quais os seus planos para a área?
Reis: Rio Bonito já teve dois cinemas, mas hoje os jovens têm que se deslocar para outros centros para encontrar diversão. Eu vou trazer de volta o cinema e construir um teatro. Vou explicar: vamos levar a 119ª DP e o Detran para o DNER. Vamos centralizar tudo lá. Feito isso, vamos fazer da Rua Desembargador Itabaiana um Corredor Cultural. Onde é a delegacia será a Casa da Cultura; o prédio do Detran vai virar a Estação das Artes, e onde é o estacionamento do Fórum, vamos fazer uma praça de alimentação. No prédio onde funciona o Fórum, que pretende sair dali para a Bela Vista – só dependendo da prefeitura arrumar o espaço – vamos ter o teatro, o cinema e a biblioteca. Na rua vamos fazer um calçadão, onde uma vez por semana faremos uma feira de artesanato com o cuidado de não atrapalhar o comércio. Penso também em levar o cinema itinerante para o interior.
Marcos Abrahão: Tem que se criar uma Secretaria de Cultura, e nosso secretário será o ator Flávio Migliaccio. Ele já foi convidado e aceitou. É uma pessoa que tem de ser aproveitada, porque é um ícone da TV brasileira e atua na maior empresa de comunicação do Brasil e uma das maiores do mundo, o sistema Globo. Ele vai ajudar Rio Bonito a se destacar pelas suas belezas e não por seus pontos negativos. O teatro, eu já estou construindo ali no Centro Cultural e Poliesportivo Bonitão, de Rio Bonito. As obras estão avançadas.
José Luiz: No meu primeiro governo, nós criamos a Secretaria de Cultura. Quando voltei em 2005, a cultura estava junto com a Educação. Por isso, vamos criá-la novamente. Reconheço que precisamos de mais investimento nesse setor, mas nós revitalizamos o Mercado Municipal e investimos no Centro de Eventos na Mangueirinha. Também vamos construir uma nova Biblioteca Municipal. Vamos mudar o aspecto de Rio Bonito. Quando a Delegacia Legal começar a funcionar, o prédio da atual vai ficar vago. Nós já temos um acordo com o vice-governador Pezão que se comprometeu em ceder o prédio da delegacia para nós, onde vamos implantar a Casa da Cultura.
Esporte e Lazer: Investimento em esporte e lazer, não é apenas trazer artistas de projeção nacional no dia do aniversário da cidade. O esporte amador, sobretudo o futebol, antigamente tão forte, “está deficitário e desacreditado”, disse o presidente da Liga Riobonitense de Futebol Faiça Abrahão. O Carnaval, que também já teve seus dias de glória, a cada ano atrai um número menor de pessoas às ruas de Rio Bonito. Como o senhor pretende revitalizar o esporte e o lazer?
Reis: Assim como na Cultura, nós temos talentos em nossa cidade que não são reconhecidos pelo município. No lazer, os jovens estão buscando outros municípios para se divertir. Por isso, vamos pegar aquela área da Mangueirinha, pavimentar, construir quiosques e um palco fixo. Todo o fim de semana terá shows com a nossa prata da casa. Uma vez por mês vamos trazer um conjunto de fora. Vamos oferecer também esse espaço aos religiosos. Na área do esporte, vamos transformar aquele espaço em frente ao Green Valley em um Centro Esportivo. Nós temos Saquarema e Cardoso Moreira na primeira divisão do futebol carioca e Rio Bonito não aparece. Para isso, vou convidar uma pessoa competente para essa pasta e darei condições de trabalho.
Marcos Abrahão: Todos conhecem o meu envolvimento com o esporte, que quando é forte a cidade aparece. Para começar precisamos de parcerias com os clubes da cidade. A propaganda na TV é muito cara, mas quando tem um atleta participando de campeonatos importantes, de qualquer modalidade esportiva, a cidade que ele representa é divulgada. O município de Cardoso Moreira apareceu muito na TV. Por que não pode acontecer o mesmo com Rio Bonito? Nossa preocupação não é somente com o futebol. Temos que investir na natação, ginástica olímpica, atletismo etc. Tem um monte de quadras espalhadas pela cidade, mas não vejo um professor de educação física ensinando as crianças, que crescem sem saber a essência do esporte. No carnaval fica essa história de blocos. Precisamos voltar com as escolas. Imagine que em Rio Bonito o Carnaval está reduzido. É sexta-feira e sábado! Incentivar as agremiações não é dar essas migalhas que eles recebem todo ano em cima da hora. Outro problema: para ir a um clube, o artista cobra R$ 5 mil, mas quando o evento é da prefeitura ele cobra R$ 50 mil. Que diferença é essa? Temos que ter cuidado com isso! Tem algo errado nessa história!
José Luiz: Temos que continuar ampliando os núcleos esportivos e construindo áreas de lazer, como as que criamos na Serra do Sambê, no Parque Andréa e estamos começando a construir no Boqueirão e Rio do Ouro. Isso é investimento em esporte e também em saúde. Além disso, nesses espaços podem ser feitos inúmeros eventos e festas estimulando além do esporte, o lazer. Ainda estamos devendo a nossa juventude as nossas festas e eventos. Mas retomamos a nossa Exposição Agropecuária, que é a minha marca. No futebol, precisamos ter um clube nas divisões de honra do país, mas é um trabalho que precisa ser feito em longo prazo.
Meio Ambiente: A Câmara de Vereadores aprovou há algumas semanas o Código Ambiental, que permite a Secretaria de Meio Ambiente multar quem comete alguma infração ambiental. Além disso, algumas Áreas de proteção ambiental foram criadas. Contudo, desmatamentos e a poluição do lençol freático da cidade continuam acontecendo. Sabemos que fazer o que é preciso é comprar uma briga com fazendeiros e sitiantes que andam com a moto-serra na mão. Qual o seu plano para essa pasta?
Reis: Antes de falar de Meio Ambiente, quero falar do Plano Diretor que nós vereadores aprovamos e não foi colocado em prática. No meu governo vou colocá-lo em prática. O Meio Ambiente tem inúmeras verbas do governo federal para tratamento de esgoto e combate ao desmatamento. Vamos trazer de volta a Patrulha Verde, que estava sempre atenta aos incêndios florestais. Sobre quem desmata, vamos dar emprego aos carvoeiros, porque eles precisam sustentar suas famílias. Esse setor me preocupa, mas com as pessoas certas podemos ter muito sucesso.
Marcos Abrahão: Eu graças a Deus não tenho o rabo preso com ninguém. O cara pode ser meu amigo, mas não pode cometer crime ambiental. Na Alerj aprovamos o ICMS verde para beneficiar os municípios, porque com mais verba, eles podem investir melhor no meio ambiente. Porém, não me entendam mal, mas o que não pode acontecer é o governante trazer desenvolvimento para a cidade – em uma área que não é de preservação – e por causa de uma árvore não construirmos um prédio de 10 andares. Onde fica a geração de emprego? Vamos derrubar essa árvore e plantar mais 100. Governo participativo é isso, colabora para que não haja degradação na natureza, mas sem atravancar o progresso.
José Luiz: Penso que essa questão de desmatamento tem diminuído. Nós já criamos alguns parques ecológicos, como as áreas do Vale Verde, no Green Valley e aquela área da rampa de Asa Delta, na Serra do Sambê. A prefeitura já pode conceder licença ambiental. Assinamos esse convênio com o governo do Estado e isso é um avanço para nós, porque apenas 17 municípios foram premiados com esse convênio. Porém, não podemos nos esquecer do tratamento do nosso esgoto. Por outro lado, a Cedae vem aqui, explora a nossa água e não enterra uma manilha. Isso será revisto.
Turismo: Apesar da grande área verde que Rio Bonito dispõe, e a certeza que os moradores dos grandes centros buscam as cidades que oferecem esse tipo de atrativo, o turismo é um setor inexplorado em nossa cidade. Nossas rampas de vôo livre e nossas cachoeiras, que poderiam estar ajudando o munícipe a complementar sua renda direta ou indiretamente, estão ociosas. Qual a sua idéia para esse setor?
Reis: Precisamos levantar o nosso turismo, porque o turista passa em Rio Bonito, mas não conhece a cidade. Ou seja, não temos identidade. Éramos conhecidos como a cidade da laranja, da mariola, mas isso acabou. Então pensei em criar uma identidade para Rio Bonito, como “A cidade do automóvel”, ou “A cidade do vôo livre”. Também pretendo divulgar as nossas cachoeiras de Lavras, Braçanã, Tomascar e Rio Seco. Mas para chegar a nesses lugares tem que ter estrada e acesso bom. Vamos espalhar outdoors ao longo da BR–101 divulgando nossas belezas naturais. Além disso, na rampa de vôo livre da Serra do Sambê, vou construir um restaurante e um mirante. Nesse mesmo lugar pretendo em parceria com a iniciativa privada, instalar um teleférico. Vamos criar a Secretaria de Cultura e Turismo e quem estiver a frente desse setor vai ser responsável por buscar as parcerias que tornarão possível projetos como esse. O turismo gera emprego, renda, crescimento e com a chegada do turista, o setor hoteleiro também vai crescer.
Marcos Abrahão: Você conhece alguém que faz faculdade de turismo em Rio Bonito? Mas não precisa! Joga o diploma fora, porque tem candidato por aí dizendo que diploma não governa. Onde estão os investimentos para as nossas rampas de vôo livre e para as nossas cachoeiras? Não tem como chegar nesses lugares! Precisamos mostrar que Rio Bonito é viável, mas o poder público não se importa com isso. Precisamos mostrar ao turista que Rio Bonito existe. Mas nem saúde e educação é prioridade, basta colocar o sujeito em uma carroça e levar para Niterói ou subir no lombo de um boi e andar pela cidade.
José Luiz: É outra área que vai receber investimentos, porque Rio Bonito possui muitas belezas naturais. Precisamos atrair o turismo investindo em localidades como Tomascar, Lavras e Braçanã, porque o turismo rende bons dividendos aos cofres públicos. O parque que construímos no Green Valley, por exemplo, já se tornou uma atração que tem atraído visitantes e até moradores. Nós temos algumas belezas que outros municípios não oferecem. Se tivermos investimentos para esse setor, as outras cidades não conseguirão concorrer conosco.