
Curso Preparatório para políticos
No site de relacionamentos Orkut, você encontra a comunidade do programa “O Tempo em Rio Bonito”, que eu dirijo e apresento aos domingos, a partir das 9h, na rádio Sambê FM (105,9). Naquele espaço, nós temos várias enquetes e fóruns, onde os participantes da comunidade podem externar seus pensamentos sobre os variados assuntos e temas que debatemos em nosso programa. Eu não tenho dúvida que o grande atrativo do programa e da comunidade, é o fato de ser um espaço apartidário e democrático. Embora nos últimos dias, tudo esteja focado nas eleições municipais, outros assuntos também são abordados.
Um dos temas colocados para debate, em um dos fóruns da comunidade foi proposto pelo meu amigo Tiago Melo, que além de ser integrante da recém formada Associação dos Profissionais de Educação Física – Rio Bonito (APEF-RB) é um competente professor da disciplina em questão. Ele colocou: “que tal um secretário de esporte professor de educação física”? Bem, esse é realmente um tema interessante e acho que essa pergunta deveria ser estendida aos demais setores da administração pública, porque as pastas deveriam ser ocupadas por pessoal técnico e não por colaboradores de campanha.
Há alguns dias atrás, nós vimos o atacante Edmundo jogar por alguns minutos como goleiro do Clube de Regatas Vasco da Gama. Foi uma situação surreal, assim como seria inusitado vermos um profissional de educação física comandando a Procuradoria Geral do Município, do Estado ou da República. Contudo, penso que não devemos cobrar apenas dos secretários essa especialização, mas também daqueles que ocupam cargos Executivos e Legislativos. Aliás, dizem que a função pública tornou-se profissão, mas não quero tratar dessa pauta agora.
A minha proposta, é que vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores e até mesmo o presidente da República, participassem anualmente de congressos, cursos de aperfeiçoamento, qualificação e encontros, onde eles trocassem experiências sobre a administração pública. Entretanto, devo acrescentar que eu não estou falando desses encontros ‘balão’, que são promovidos com a única intenção de fazer compras e tomar banho de mar comendo lagosta ou caviar! Não é turismo! Porque os encontros que temos notícias, são aqueles que coincidentemente acontecem em cidades paradisíacas do Brasil.
Tomando como exemplo, os cursos profissionalizantes, devemos lembrar que as escolas que oferecem essas especializações têm laboratórios, onde o estudante bota a mão na massa para exercitar o que aprendeu. Depois disso, ele vai para o estágio praticar. Por isso, deixo aqui a minha sugestão: “que tal começar um desses encontros em Araióses”? Para quem nunca ouviu falar nesse lugar, devo esclarecer que se trata de um município maranhense, que em 2007, conquistou o ‘honroso’ título de cidade com o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), entre os 5.564 municípios do Brasil.
A dinâmica para que os políticos pudessem praticar o que aprenderam no fictício “Curso Intensivo de Administração Pública – que tal o nome? – é muito simples e utilizada em qualquer escola de qualificação. Eles seriam divididos em equipes e teriam um determinado tempo para desenvolver e criar projetos, para melhorar o IDH de Araióses, onde estaria ocorrendo o curso preparatório. Cada equipe seria responsável por uma Secretaria Municipal. Os diplomas seriam concedidos, somente para aqueles que deixassem o seu projeto funcionando ao término do prazo. Não é interessante? Mas tem mais. Como nós temos 5.564 prefeitos no país, sem citar os vereadores, eles iriam estagiar e desenvolver o que aprenderam em outros lugares igualmente miseráveis. Posso citar só no Maranhão, as cidades de Centro do Guilherme, Belágua, Santo Amaro do Maranhão e Matões do Norte. Já no Piauí, temos as ‘pitorescas’ cidades de Milton Brandão, Guaribas e Novo Santo Antônio. Segundo pesquisas, todas elas têm mais de 90% da população na linha da miséria. Não seria uma bela experiência?
Eu não tenho dúvida! O dia que esse sonho – pesadelo para muitos políticos – tornar-se realidade, nós teremos um Brasil menos desigual e com políticos capazes, sérios, competentes e focados unicamente na solução dos problemas, e não na criação dos mesmos. Diz o adágio popular: “mente vazia é oficina do Diabo”! Pensando nisso, creio que um pouco mais de atividade – dentro da administração pública – na vida dos políticos seria muito benéfico. Quem não concordasse, bastaria procurar outra ocupação!