Quem é esse fulano?

Um dos argumentos mais pífios utilizados para se desmoralizar um candidato é o tal do “quem é fulano”? As principais vítimas dessa pergunta são os candidatos a vice-prefeito de Marcos Abrahão (PSL), o engenheiro Adílio José Alves (PT) e do prefeito José Luiz Antunes (DEM), que tenta a reeleição ao lado do analista de sistemas Matheus Neto (DEM). A pergunta geralmente sarcástica maldosa e carregada de senso comum: “quem é Matheus Neto ou quem é Adílio”? Sugere que a popularidade talvez seja o principal atributo para o sucesso do político – embora não seja dispensável.

Porém, falando em popularidade, é bom lembrar que Adolf Hitler, o líder nazista responsável por cerca de 50 milhões de mortes, durante o Holocausto, era um grande líder popular alemão. Também conhecemos a história de Benito Mussolini, o líder fascista, que ao lado dos seus camisas negras, como eram conhecidos os seus soldados, aterrorizaram a Itália na segunda década do século XX e foi também muito conhecido e popular . Nessa mesma época, no Oriente, a história conta que um sujeito chamado Mao Tse-tung, começava a sua carreira política na China. Não sei se o amigo eleitor sabe, mas cerca de 70 milhões de pessoas perderam suas vidas por não concordar com o conhecido líder popular. Esses homens eram tão conhecidos, que ainda hoje são lembrados.

Mas voltando a Rio Bonito, a minha esposa sempre reclama que depois de uma luta de quatro anos, estudando e viajando em nossos ônibus universitários lotados – ela é do tempo do “azulão” – para se graduar em biomedicina, ela não consegue colocaçãoa no mercado, porque sempre lhe pedem experiência. Surge então uma pergunta: como ela vai ter experiência se nunca trabalhou? É uma situação surreal, porque para trabalhar a experiência é exigida. Mas para adquirir experiência, é preciso trabalhar. E aí?

Lembro dessa história dela, todas as vezes que me perguntam quem é Matheus Neto ou quem é Adílio José Alves. Reconheço que esses nomes, sobretudo o de Matheus, realmente são novidades. Se boa ou ruim, não estou aqui para discutir essa questão. Aliás, isso é argumento contra muitos nomes. Vou citar alguns: quem é Henrique Suerinho, Diogo Fricks, Claudinho do Bumbum, Christina Lorenzi, Nini, João dos idosos, Dinho da portaria, entre outros? Amigo, é bom saber que José Luiz Antunes, Solange Almeida, Aires Abdalla, Reginaldo Ferreira Dutra, o Reis, Marcos Abrahão, Carlos Cordeiro Neto, o Caneco, e os antigos Alcebíades Moraes Filho, o Bidinho, Nelson Mendonça, entre outros, não nasceram políticos, mas receberam a oportunidade de participar da vida pública e construíram suas histórias. Se boas ou ruins, não é essa a discussão, o que interessa é que eles receberam uma oportunidade, assim como aconteceu com Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas, Luiz Inácio Lula da Silva, entre outros, que também não nasceram líderes.

A você que está lendo esse artigo, por exemplo, eu pergunto: quem é Flávio Azevedo? Os senhores já assistiram eu apresentando um telejornal em um dos canais das organizações Globo, na Bandeirantes ou no SBT? E as revistas, alguém já leu uma reportagem ou um artigo escrito por mim na Caros Amigos, Carta Capital, Veja, Época ou Isto É? Aquele programa de sucesso e grande audiência, apresentado por mim nas rádios Tupi, Nacional, Transamérica, CBN, entre outras, você já ouviu? Não, nunca atuei ou trabalhei nesses lugares. Contudo, recebi a oportunidade de escrever para o jornal Folha da Terra e também tive uma chance de fazer um programa, na rádio Sambê FM (105,9), que parece estar agradando os ouvintes. Ou seja, eu também recebi uma oportunidade.

Portanto, não vamos usar esse argumento de não conhecer os vices para deixar de votar em Marcos ou Mandiocão – argumentos utilizados, inclusive por pessoas desses dois grupos políticos – porque se o requisito principal do vice for popularidade e visibilidade, todos deveriam votar no vereador Reginaldo Ferreira Dutra, o Reis (PR), que escolheu uma vice que dispensa apresentação: Solange Almeida (PMDB). Vou lembrá-los do currículo dessa mulher: dois mandatos de vereadora, dois de prefeita e atualmente, deputada federal. E, detalhe: ela nunca foi derrotada quando disputou um cargo em que o seu nome era o principal da chapa.

Mas seria a popularidade, o principal elemento que buscamos na hora decidir em quem votar? Será que nós estamos realmente fazendo isso? Se for, talvez seja por essa razão, que Rio Bonito ainda figure entre as cidades da nossa região que não se desenvolveu na sua plenitude. Porque nós eleitores, não desenvolvemos a nossa percepção política para votar no melhor projeto, mas continuamos decidindo, a favor dos benefícios pessoais e das ações clientelistas, que, diga-se de passagem, encontramos nos três grupos políticos que disputam as eleições de cinco de outubro. É lógico, que em alguns desses grupos, essa prática é mais intensa, mas todo a utilizam e ninguém dispensa. E só para encerrar, o clientelismo só continua porque existe cliente. Pensemos nisso!