Guilherme Duarte

Alexandre queria pedir sua namorada Renata em casamento, mas não sabia como faria o pedido. Foi então que ele teve a “brilhante” idéia de dizer para a “futura esposa” que queria adotar um bebê que havia sido, recentemente, deixado em frente a sua casa. Mas, para isso, um “juiz” havia lhe informado que para adotar uma criança, ele precisaria ser casado. Portanto, Renata poderia juntar o útil ao agradável (se casaria e de quebra já ganharia um filho). Assustada, Renata pediu para ver a criança e foi aí que a história começou a mudar. No dia que Alexandre resolveu apresentar a criança, de apenas três meses, para a namorada conhecer estava chovendo muito e ele precisou se abrigar em baixo de uma marquise, enquanto esperava o ônibus. Só que o ponto do ônibus era em frente a delegacia, e como a criança não parava de chorar o policial, que estava de plantão naquela noite, achou muito estranha aquela situação. Diante do fato, o policial se dirigiu até o local e indagou ao rapaz sobre a paternidade da criança. Como Alexandre ficou um pouco confuso para responder, o policial o encaminhou para prestar maiores esclarecimentos ao delegado. Foi aí que o delegado descobriu que a história que Alexandre havia contado para Renata era falsa, que a criança era sobrinho dele e que os verdadeiros pais não sabiam que o filho estaria em Rio Bonito naquela noite. Aí a confusão estava formada.

Roteiro de cinema

O roteiro poderia ser de um bom filme de comédia, mas acabou virando caso de polícia e foi registrado na 119ª DP (Rio Bonito). Na última quarta-feira (1), o delegado José Pedro da Costa abriu um inquérito policial contra Alexandre Carvalho Gaudar sob acusação de “subtração de incapaz”. A história relatada acima aconteceu entre Alexandre, morador do Rio de Janeiro, e Renata Sipriano da Silva, moradora de Rio Bonito. De acordo com o relato de Renata, eles se conheceram em agosto, através de telefone, mas ela só foi ter contato pessoal no mês passado. Ela contou que Alexandre havia passado o último final de semana em sua casa e que disse que traria uma criança para apresentá-la. “No dia 30 de setembro, ele me ligou, na parte da manhã, dizendo que estava vindo para Rio Bonito me apresentar a criança. Ele disse ainda que pretendia adotá-la, mas para isso teria que estar casado. Nunca pensei em adotar uma criança”, disse Renata na 119ªDP.

Já Alexandre contou para o delegado que trouxe o menino, que era seu sobrinho, sem o consentimento dos pais. “Por volta das 15h de hoje (1), fui a casa do meu irmão e pedir para levar o meu sobrinho para passear. Trouxe a criança para a Renata conhecer sem o consentimento dos pais”. Com base na informação, o delegado entrou em contato com os “verdadeiros” pais, que assumiram a paternidade da criança, mas informaram que o menino ainda não havia sido registrado. Com isso, o delegado fez contato com o Conselho Tutelar de Rio Bonito, que encaminhou o menino para a Casa da Criança de Rio Bonito.

“Vamos apurar de quem são as responsabilidades desse caso. Ainda não reunimos indícios que levem a crer que houve um crime, mas vamos apurar se houve maus tratos, se a vida da criança foi colocada em risco, se houve negligência dos pais, entre outras coisas. A princípio, o acusado disse que o menino era seu sobrinho e trouxe a Rio Bonito apenas para conquistar a namorada. A criança vai ficar sob a guarda do Conselho Tutelar do município, até que se prove a paternidade do menino, uma vez que ele não possui registro”, declarou o delegado.

A conselheira tutelar, Francisca Violeta Pereira Garcia, que estava de plantão na noite do acontecimento, revelou que a criança precisou ser levada ao Hospital Regional Darcy Vargas, pois aparentava estar resfriada. “A criança estava chorando bastante e aparentava maus tratos. Como ele havia tomado muito chuva no dia do acontecimento, levamos até o HRDV para que fossem feitos alguns exames. Agora, ele está na Casa da Criança e só será liberado através da decisão da Justiça”, disse Violeta, na quinta-feira (2).