
O debate que não houve
Gostaria de me desculpar com a população riobonitense, sobretudo com os meus ouvintes, que acreditaram que nós teríamos um debate entre os candidatos a prefeito de Rio Bonito, no programa “O Tempo em Rio Bonito”, na rádio Sambê FM (105,9), no último domingo (28). Eu confesso que embora estivesse desconfiado – porque em político não se deve confiar –, eu acreditava que seria respeitado, porque nunca dei nenhum motivo para que os candidatos José Luiz Antunes e Reis duvidassem da minha postura como profissional de Comunicação Social. Desculpem-me, mas fui tratado como ‘moleque’, como eu percebo que são considerados e tratados os colegas que trabalham na área de comunicação em Rio Bonito.
Digo isso, porque ambos foram convidados para o debate, confirmaram presença, mas não compareceram. Deixo registrado aqui nesse espaço, o meu repúdio a essa atitude desrespeitosa não para comigo, mas, sobretudo para com os ouvintes. Devo destacar também, que não comparecer ao debate é uma alternativa da democracia e eles tinham esse direito. Contudo, esses senhores tinham o dever de ser verdadeiros, sinceros e corretos como eu tenho sido com eles. Participar do debate não é obrigação e eu não exigiria isso deles. Apesar disso, seria bem mais respeitoso se tivessem dito que não iriam participar desde o início. Outra coisa, eu não preciso fazer média com ninguém e tão pouco estou fazendo campanha para o candidato que compareceu. Não é esse o meu objetivo.
Aos meus amigos que perguntam “por que nós não temos um debate, aberto, franco e honesto, em local de acesso fácil, onde a sociedade pudesse ouvir ‘ao vivo’ as idéias de quem pretende administrar melhor a nossa cidade”, como se a culpa fosse da classe que trabalha com jornalismo, a resposta é essa: Algumas pessoas não valorizam essa oportunidade que a democracia lhes oferece. É por isso... É por isso, que a cidade não cresce ou se desenvolve como nós sonhamos. Essa postura medíocre de alguns, reflete os hábitos provincianos que ainda florescem em Rio Bonito. Pessoas que não estão prontas para ouvir, mas somente para falar. Não estão prontas para defender suas idéias, mas para impor sua vontade. Se não sabem se portar diante de um adversário político ou de um público ouvinte, por que defender o município, onde se precisa de muito mais serenidade e sabedoria?
Não posso deixar de lembrar, que aqueles que não têm argumento ou não conseguem manter a sobriedade durante um confronto de idéias, deveriam se afastar do meio político, porque uma rápida caminhada filosófica pela Grécia ou por Roma, berço da civilização ocidental, deixa patente aos nossos olhos que fazer política é uma arte. Quanto aos argumentos pelas ausências, que começam pelas críticas a postura incisiva do deputado Marcos Abrahão, o único que compareceu, penso que é uma desculpa até certo ponto aceitável, mas que deveria ser dita abertamente. Quando estiveram no programa “O Tempo em Rio Bonito”, todos foram perguntados e, ninguém... ninguém naquele momento disse que não participaria.
Para encerrar o assunto de uma vez por todas, esse ano não dá mais tempo, mas que nas eleições de 2012, apareçam candidatos que tenham além de propostas, maturidade para participar de um debate, e, sobretudo sem ter medo do que poderá ser exposto dos bastidores de sua vida. Já conversei com os faltosos e descobri que eles queriam ir ao debate, mas atendendo o conselho das “moscas de padaria” que se dizem assessores, eles não compareceram.
Conselho: “você pensa em se lançar na política nas próximas eleições”? Então comece a treinar para aprender a se portar diante do adversário. Uma dica: “ficar diante do espelho, todos os dias, durante 10 minutos falando em um cabo de vassoura, como se ele fosse um microfone, certamente irá melhorar sua performance até 2012”.