A expressiva vitória do prefeito José Luiz Mandiocão (DEM) evidencia pelo menos três situações que sempre devem ser levadas em conta principalmente nos novos padrões de campanhas eleitorais dos últimos anos: 1ª) o poder de fogo e a boa administração feita pelo candidato que está concorrendo à reeleição; 2ª) o trabalho de marketing da coordenação de campanha, que deve ser o mais profissional possível; e 3ª) a exploração dos “deslizes” cometidos pelos principais adversários. E não há como negar que a equipe do prefeito reeleito tinha tudo isto a seu favor.
Não obstante a expressão política dos concorrentes Reis e Solange, apoiados por Aires Abdalla, em contraposição à também boa performance de Mandiocão, certamente faltou aos primeiros mais investimento em propaganda não somente para dar maior visibilidade a respectiva campanha, como também explorar as deficiências do grupo vencedor as quais, certamente, sempre há. Em suma: o resultado das eleições foi um reflexo também dos erros de estratégia de marketing do segundo colocado, sem que isto, é claro, diminua os méritos da administração do atual prefeito.
Faltou ao grupo de Reis e Solange, por exemplo, maior investimento em propaganda visual produzida através de material de arquivo. Dizem que notadamente no início da campanha a equipe sequer tinha imagens (fotos e vídeos) de obras para mostrar nos telões em comícios, embora não haja como negar que Solange de Almeida, quando prefeita, realizou diversas delas (os adversários, por sua vez, aproveitavam para dizer que “eles não mostravam por que não tinham o quê mostrar”). Pecou, ainda, na demora em contratar um bom profissional de marketing/jornalismo que pudesse alavancar não só a imagem dos candidatos à majoritária, mas também daqueles que disputavam a proporcional, que é de onde viriam os votos que poderiam diminuir – ou quem sabe superar – a marca conseguida por Mandiocão. Quando o grupo de Reis e Solange finalmente contratou uma “marqueteira”, a equipe de Mandiocão já contava com uma importante dianteira e praticamente não havia mais como “correr atrás do prejuízo”.
Alguns dizem também que faltaram recursos financeiros ao grupo de Reis e Solange para a necessária propaganda. Será? Mesmo que isto seja verdade o fato é por si só um erro de estratégia, pois não se pode conceber que alguém entre numa disputa como esta sem uns bons “caraminguás” no bolso, já que tudo em política custa muito caro. Afinal, já se foi o tempo em que se fazia política e se ganhava eleições com tapinhas nas costas, ideologia partidária, simpatia pelo candidato, número de concorrentes escritos em papeizinhos de pão ou nas palmas das mãos dos eleitores e/ou gritando-se em megafones nas ruas.
É bom lembrar, também, que as pessoas inteligentes aprendem com os erros e derrotas. Além disso, é no fracasso que surgem os verdadeiros líderes. Por isso, um exercício interessante para o riobonitense nos próximos dias será observar como irão se comportar nos próximos meses, a deputada federal Solange Almeida e o deputado estadual Marcos Abrahão. Contudo, embora tenha sido vitorioso, o grupo do prefeito José Luiz Antunes deve ficar atento, porque em algumas ocasiões o êxito ou a vitória impede que os pontos vulneráveis, que como já dissemos existem, sejam percebidos e corrigidos. Para que esse erro não seja cometido, é preciso que a liderança seja firme, forte, inteligente e nem um pouco passional. Mas como dizem que “não adianta chorar sobre leite derramado” e que “se conselho fosse bom não se dava; vendia-se”, esperamos que tal análise possa servir pelo menos de alerta a potenciais candidatos às eleições futuras.