Guilherme Duarte
Flávio Azevedo


Apesar de ter classificado a eleição 2008 como “limpa e tranqüila”, a juíza eleitoral Roberta dos Santos Braga Costa teve bastante trabalho para coibir as irregularidades durante todo o último domingo (5), em Rio Bonito. Desde cedo, ela, o promotor Guilherme Macabu, o chefe do Cartório Eleitoral, José de Tárcio Teixeira, o delegado federal Marcelo Prudente, além de três agentes federais, circulavam pelo município em duas viaturas da Polícia Rodoviária Federal fiscalizando todas as seções eleitorais. Embora logo pela manhã circulasse a informação que o candidato a vereador Saulo Borges (PTB) teria sido detido, a verdade é que ninguém foi preso.

Durante todo o dia, o telefone do Cartório Eleitoral não parou de tocar. A todo o momento chegavam denúncias sobre compra de votos, propaganda irregular, distribuição de santinhos, entre outras coisas. Apesar do grande volume de denúncias, apenas duas pessoas foram apreendidas, uma por suspeita de compra de votos e outra por distribuição irregular de santinhos, mas, após prestarem esclarecimentos no Fórum da cidade, foram liberadas.

Por volta das 8h, o chefe do Cartório Eleitoral já havia recebido dezenas de ligações denunciando uma irregularidade nos coletes dos ficais da coligação “Quem Compara Vota”. Segundo as denúncias, os coletes eram da cor preta e eram confundidos com os da fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). Constatada a irregularidade, a juíza ordenou que fossem apreendidos todos os coletes utilizados por partidários do prefeito José Luiz. Antes do meio dia, cerca de 30 coletes já haviam sido apreendidos. “No colete só está escrito fiscalização e isso não pode. Não existe nenhuma referência a partido ou coligação, por isso a juíza achou por bem que todos esses coletes fossem apreendidos. As blusas que essas pessoas estavam usando por baixo também precisaram ser trocadas”, afirmou o chefe do Cartório Eleitoral, José de Tárcio.

Segundo um dos coordenadores da coligação “Quem Compara vota”, Ronen Antunes, foram confeccionados 60 coletes, com o objetivo de “confundir os maus intencionados que utilizam práticas ilegais como compra de voto”, revelou. O advogado da coligação, Leandro Weber, criticou a decisão da Justiça. “Achamos que essa medida é um excesso da Justiça Eleitoral. Afinal, fomos nós mesmos que pedimos a Justiça que reforçasse a fiscalização para coibir a prática de atos ilícitos que certamente acontecem”, frisou.

Na parte da tarde, o promotor Guilherme Macabu esteve na Escola Estadual Dr. Roberto Pereira dos Santos para averiguar uma denúncia de um suposto tumulto em frente ao local de votação. Acompanhado do delegado federal Marcelo Prudente, Macabu ficou alguns minutos no local e não constatou nenhuma irregularidade. “Muitas denúncias estão chegando até a gente e todas estão sendo apuradas. Até o momento, pouca coisa foi confirmada. Duas pessoas foram apreendidas, mas como nada foi comprovado, foram liberadas”, revelou o promotor.

No final da apuração, já visivelmente cansada, a juíza Roberta dos Santos Braga Costa afirmou que “tudo correu dentro do esperado”. “Eleições são sempre assim, várias denúncias, algumas confusões, mas no final tudo dá certo. Agora espero que os políticos eleitos trabalhem em prol da população riobonitense e em prol do desenvolvimento do município”, disse a magistrada, logo após o anúncio oficial dos candidatos eleitos, no Fórum da cidade.

Exercendo o seu direito de voto

Para exercer o seu direito de voto, portadores de necessidades especiais e eleitores com problemas de saúde contaram com a ajuda de parentes. É o caso, por exemplo, da estudante Elaine Cristina de Souza Cunha, de 27 anos, de Rio Bonito, que votou na 68ª seção – onde votou também o prefeito José Luiz Mandiocão –, no Colégio Bernardino da Costa Lopes, em Boa Esperança. Elaine, que possui deficiência nas pernas, chegou ao local às 12h30, em uma cadeira de rodas, acompanhada da sua mãe, Maria Helena. Moradora do Bambu, ela votou às 12h40 no prefeito José Luiz: “Espero que ele faça melhorias pelo bairro, principalmente para a saúde da população”, frisou Elaine, que votou pela segunda vez.

Já o comerciante Carlos Frederico Wilser, de 73 anos, morador do Centro, saiu de casa logo pela manhã para votar no Esporte Clube Fluminense. Com má circulação nas pernas, ele chegou ao local de votação amparado pela filha, Cláudia Wilser, e com a ajuda de uma bengala. “Eu faço questão de vir votar. Fiz questão de vir dar uma força para o meu candidato”, disse Carlos, que deu seu voto para Reis e Solange. Já a filha disse que iria votar somente ao meio-dia, no Colégio Dyrceu Rodrigues da Costa, também no Centro da cidade.

Dificuldades em Tanguá

Para dar o seu voto para o atual prefeito Carlos Pereira, no Colégio Estadual Antônio Francisco Leal, no Centro de Tanguá, o aposentado Manoel Travassos Filho, de 83 anos, morador do Bandeirante 1, teve que contar com a ajuda da esposa, Sebastiana, e dos filhos Jesuíno e Maria do Carmo. Acometido de um derrame há cerca de 3 meses, seu Manoel chegou de carro ao local, e enfrentou até um engarrafamento na rua em frente ao colégio, onde nem a guarda municipal nem a polícia militar – até as 10 horas – auxiliavam o trânsito. Do carro até a sua seção eleitoral, ele demorou cerca de 20 minutos. Com dificuldade para falar e andar, e bastante emocionado, o aposentado foi taxativo ao ser perguntado se iria votar no atual prefeito: “Vim aqui para isso”, disse, sem conter o choro.