Rio Bonito e o incentivo a cultura

Na comunidade do programa “O Tempo em Rio Bonito”, da rádio Sambê FM (105,9), que eu apresento todos os domingos a partir das 9 horas, o jovem Tarciso Araújo, criou um fórum criticando a falta de incentivo aos artistas riobonitenses. De acordo com ele, “o município investe pouco naquilo que interessa aos jovens”. Ele ressaltou, ainda, que esse problema não está restrito a música, mas a todas as outras áreas ligadas ao esse setor. Refletindo sobre essa situação, penso que a pergunta final de Tarciso – “porque será que isso acontece”? – também está presente na mente de cada pessoa que gostaria de ver investimentos significativos nesse setor.

Algumas colocações foram feitas pelos demais integrantes da comunidade. Uma delas, disse que “essa falta de interesse existe, porque o investimento não deve dar retorno aos cofres públicos e aos bolsos dos políticos”. Aliás, essa mesma pessoa destaca outra triste realidade: “com isso, nossos jovens estão morrendo nas estradas, porque buscam esses atrativos em outras cidades”. Já outra internauta, comenta que “essas mudanças devem começar por nós cidadãos, através de organização de classes e categorias e por movimentos que sejam bem organizados, e, é claro, atuantes”. Ela levanta outra polêmica: “as associações de moradores de Rio Bonito são pouco ou nada atuantes”. E conclui: “esse marasmo domina a grande maioria dos riobonitenses, onde até eu estou incluída por acomodação”.

No artigo da última semana, eu comentei a respeito de alguns indivíduos, que pensam que o político tem obrigação de se comportar como um “pai ou uma mãe”. Por isso, eu não poderia deixar de comentar, que ocorreu na Sociedade Musical e Dramática de Rio Bonito, na tarde do dia 28 de setembro, um encontro, entre as pessoas ligadas a cultura da cidade e os candidatos a prefeito. Eu fui convidado para mediar o encontro e como já esperava, compareceram, por lá, apenas uns ‘gatos pingados’. Além disso, alguns desses ‘gatos’ foram apenas ouvir os candidatos da sua preferência. No fim da explanação do seu escolhido, se retiravam. Como perguntar não ofende, “onde estava o povo que reclama da falta de atenção à cultura”? Inclusive, o jovem que criou o fórum na comunidade do nosso programa, que também não compareceu.

Sem querer ser pessimista, mas sendo bem realista, penso que o teatro e o cinema que almejamos, seriam muito concorridos nas primeiras semanas, mas quando deixassem de ser novidade, logo deixariam de ser utilizados. Digo isso, porque nós, que moramos no interior, não valorizamos o que é local. Quantos já ouviram a nossa Sheila Sá cantar acompanhada do nosso Ricardinho e seu violão? Pois é, meia dúzia. Contudo, a maioria que torce o nariz para esses artistas locais, despencam para o Rio de Janeiro e pagam um valor absurdo para ver alguém que não conhece cantar – lá na ‘PROVÍNCIA’, é claro! E o grupo Bonanza? Alguém foi lá no show desses meninos há algumas semanas? Não? Por quê? O show estava fraco? Sabe por que não foi melhor? Porque você não foi prestigiar. Preferiu ir ao Ita Show. E, pior! Para ver ninguém também. Apenas, porque no Ita Show a festa estava cheia de gente. Amigo, pouca gente vai ver o artista. A idéia é ver as pessoas e ‘azarar’ alguém.

Outra questão: você conhece Leir Moraes? Já leu algum livro dele? Pois é, trata-se de um dos grandes filhos dessa terra, que poucos valorizam e muitos sequer conhecem. Volto a dizer: “enquanto não abandonarmos os nossos hábitos provincianos, a área cultural vai permanecer sem incentivos, porque somos nós que colaboramos para que essa situação se perpetue, porque ‘tirar onda’ é ir na “PROVÍNCIA” gastar dinheiro. É por isso... É, por isso, que eu afirmo sempre: “o poder público não é o único vilão dessa história”. Ele tem parte da culpa, mas nós temos essa mania de valorizar as coisas ruins da “PROVÍNCIA” (capital e os grandes centros) e desvalorizamos as coisas boas da nossa terra.

Para substituir o teatro municipal que ainda não existe, o ator e professor de teatro, Zeca Novais – riobonitense – idealizou um festival de teatro de rua. “Mas esbarrei na falta de vontade do poder público”, revelou. Isso o levou a dizer, que “cultura não é só merenda gostosa e arroz doce”. Essas palavras mostraram que Zeca não acredita nas autoridades e, quiçá, em seus próprios sonhos – muitos dependem de uma atenção vigorosa do poder público. Para solucionar esse problema, Novais sugere uma solução: “a união dos artistas, jornalistas e cidadãos de bem riobonitenses”. Refletindo sobre isso, termino com uma pergunta: “esse festival de teatro de rua, do Zeca Novais, vai ter público”? Porque não assistiremos Patrícia Pilar, Claudia Raia ou Carmo Dalla Vecchia, mas sim, os nossos talentosos artistas riobonitenses.