Flávio Azevedo
Cerca de 100 pessoas participaram do 1º Fórum Municipal “Tecendo a Rede de Cuidados em Saúde Mental”, que foi realizado pela Prefeitura Municipal de Rio Bonito, na última quinta-feira (6), no salão nobre do Esporte Clube Fluminense. O evento que abordou quatro temas específicos dentre da área de Saúde Mental, foi uma iniciativa das Secretarias Municipais de Saúde e Trabalho, Habitação e Bem Estar Social.
A coordenadora do Centro de Apoio Psicossocial (Caps) de Rio Bonito, Luciana Albuquerque, destacou que qualquer projeto desenvolvido para promover a Saúde Mental deve ocorrer de forma integrada dentro da própria rede pública de saúde. “Tudo começa com um bom funcionamento dos postos de saúde e dos Programas de Saúde da Família (PSF), analisou. Concorda com a coordenadora, o palestrante Rodrigo Borgui, que reiterou a importância da atuação dos postos de saúde na identificação e acompanhamento dos pacientes. Segundo o palestrante, “os postos de saúde e PSFs, pela sua capilaridade são os principais instrumentos para tornar realidade os novos projetos de Saúde Mental”.
Um novo modelo de saúde
Com o pensamento que o Fórum é uma oportunidade real de mostrar que toda a sociedade tem participação determinante na recuperação do doente mental, a Secretária Municipal de Saúde Mônica Figueiredo lembrou que em Rio Bonito a cultura de hospitalização do doente mental é muito forte. “Nossa cidade por muito tempo foi referência em internação psiquiátrica para todo o Estado do Rio de Janeiro”, frisou. A secretária também destacou, que a influência política dentro de um setor estritamente técnico é mais um problema para o setor. Além disso, ela lembrou que “as pessoas ainda não compreenderam o novo modelo de Saúde Mental do Brasil. As mudanças geralmente são problemáticas e não é diferente com esse setor da área de saúde”.
O palestrante Rodrigo Borgui, que coordena a Saúde Mental da Secretaria Municipal de Nova Iguaçu, lembrou que a interferência política em internações psiquiátricas deixou de acontecer com a implantação da Central de Regulação do Estado. “Como as Secretarias Municipais de Saúde perderam a gerência dos leitos psiquiátricos, a força política não pode interferir ou corromper o novo projeto que foi estudado para a Saúde Mental”, enfatizou o palestrante, lembrando que “a participação efetivamente no Caps dos usuários e seus familiares é importante para se alcançar as melhorias desejadas por nós”.
Durante o Fórum, usuários e familiares tiveram a oportunidade de fazer críticas e sugestões sobre o Caps. A abertura foi considerada muito válida pela Secretária de Saúde Mônica Figueiredo. “É exatamente por isso que estamos realizando esse Fórum, para que possamos identificar as falhas e possamos solucioná-las”, analisou.