

14/09/2012 17:46:44
Flávio Azevedo
Um dos quadros do “Programa Flávio Azevedo” são entrevistas com pessoas comuns da sociedade riobonitense, que tem a oportunidade de opinar sobre assuntos variados. A primeira entrevista foi feita na rampa de Voo Livre, da Serra do Sambê, onde estavam o Técnico de Informática, Rodolfo Bragança (32 anos) e o taxista Alessandro Andrade Marcello (38 anos). Eles falaram sobre Turismo, Educação, Qualificação Profissional, Emprego, Economia, Política, Comportamento e foram unânimes ao afirmar que “Rio Bonito precisa de mudanças”.
De acordo com os entrevistados, o setor de Turismo em Rio Bonito está “abandonado”. A rampa de Voo Livre, por exemplo, que poderia ser uma das locomotivas do setor, “não recebe investimentos e a devida atenção da Prefeitura Municipal.
– O local poderia ser entregue a iniciativa privada. O pôr-do-sol aqui é lindo, mas nem todos têm condições de ver, porque o acesso é ruim, se chover ninguém sobe, falta iluminação, a estrada não é bem cuidada e quem poderia modificar esse cenário não está preocupado – considera Bragança.
Olhando sacolas e sacos plásticos que voavam pelo local, Alessandro faz uma reflexão: “as pessoas que conseguem chegar aqui também não se preocupam em zelar pelo lugar. Eles jogam lixo pelo chão e não se incomodam em manter o local minimamente limpo”, reclama o taxista, que critica o flagrante abandono do espaço. “Burrice do governo, que não consegue perceber o potencial desse lugar”.
Qualificação
Jovens ainda, eles reclamam a falta de Qualificação Profissional para que as novas gerações tenham futuro diferente da geração deles. Eles concordam que uma Secretaria Municipal que acumula as pastas da Agricultura, da Indústria, do Comércio e do Turismo contribui para essa questão. “Também não adianta esses setores serem separados e entregues a pessoas que são amigas de A e B e apadrinhados políticos”.
Sobre a vida profissional do jovem riobonitense, Rodolfo e Alessandro comentam que a cidade é carente de cursos profissionalizantes e os que existem não são valorizados. “Muita gente faz um curso, mas não segue a profissão. Outros claramente escolhem determinadas ocupações simplesmente por que lhes falta opção. O problema é que ninguém se preocupa com isso”, comenta Rodolfo, acrescentando que em Rio Bonito é possível encontrar gente sem qualificação exercendo determinada função e “isso contribui para a desvalorização de quem é qualificado”.
Já Alessandro ressalta a falta de investimentos, incentivos fiscais e comenta que está preocupado com o filho de 15 anos que está prestes a ter problemas semelhantes aos que ele enfrentou na adolescência.
– Essa incerteza e a luta pela sobrevivência me levaram para o Rio de Janeiro, onde eu tenho um TAX. A minha família, porém, está aqui e eu me preocupo muito com isso, porque entra ano, sai ano e a situação é a mesma. Se a garotada não se mobilizar para mudar esse cenário isso vai continuar do mesmo jeito – analisa.
Política
Sobre a postura do eleitor diante desse cenário caótico que persiste há muitos anos, Rodolfo afirma que “isso parece piada” e acrescenta que “não adianta reclamar durante quatro anos e fazer M... Naqueles poucos segundos em que se está diante da urna eleitoral. Temos o hábito de votar em quem é gente de boa, mas precisamos ter mais critério. Por outro lado, eu não sei o que certas pessoas pensam na hora de se candidatar a vereador. Nós precisamos cobrar, além de caráter, projetos e planos para Rio Bonito. É importante escolher quem pensa no coletivo e não nos benefícios individuais”.
Ao analisar a questão, o taxista Alessandro comenta que o voto errado é um dos sérios problemas do país e acrescenta que “atualmente não se pode confiar na classe política, por serem responsáveis por grande parte dos nossos problemas sociais.
– As notícias sobre política nos deixa com nojo, mas nós temos que participar do processo, não tem como tirar o corpo. É muito triste você exercer o seu papel de cidadão, mas o país não nos trata como cidadãos, porque o Estado é omisso... Política é algo que eu sou obrigado a digerir, porque vemos coisas que nos enojam – conclui.
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