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Flávio Azevedo

04/11/2010 00:05:54



Guerra Santa

No ano 168 AC, os romanos derrotavam, em definitivo, os gregos, e se tornavam o 4º império mundial. Com mãos de ferro, os romanos dominaram até o ano 476 DC. Os romanos foram derrotados por tribos bárbaras (anglos-saxões, germanos, ostrogodos, visigodos, hérulos, vândalos, suevos, burgúndios, francos, lombardos), que dividiram o território romano em 10 nações, que hoje conhecemos como Europa. Dessas tribos bárbaras, em 538 DC, surgiu um poder político-religioso que governou o mundo com crueldade por cerca de 1260 anos. O seu líder era o papa, que mandava executar, em nome de Deus, todos que se opunham ao catolicismo.

Em 1798, tropas napoleônicas, lideradas pelo general Berthier, inspiradas no Iluminismo e no Renascimento, doutrinas que orientaram a Revolução Francesa, invadiram o Vaticano e aprisionaram o Papa Pio VI. Ele foi deportado para a cidade de Siena e posteriormente para Certosa, onde faleceu em 29 de agosto de 1799. O mundo ficou sem papa até 1804, quando Napoleão Bonaparte negociou com o papa Pio VII a restauração do poder religioso da igreja, mediante a sua coroação como imperador francês.

O pensador Karl Marx analisando a igreja daquele tempo disse que “a religião é o ópio do povo”. Essa declaração fez com que Marx ganhasse a antipatia de muitos religiosos. Mas se analisarmos o contexto histórico daquela época, a igreja que Marx conheceu era cruel, sanguinária, impunha dogmas e trucidava aqueles que defendiam novas ideias. Marx chamou de “Ópio do povo”, uma religião onde aqueles que podiam pagar compravam o perdão (indulgência), já aqueles que não tiham bens pagavam penitencias.

Antes disso, no século XVI, surge um movimento chamado Reforma, onde figuras como Martinho Lutero, um padre católico, passou a defender mudanças nas práticas religiosas da igreja. Lutero encontrou uma bíblia acorrentada num convento (o leitor assistiu o filme, “O nome da Rosa”?). Ao lê-la, ele percebeu que a igreja havia se desviado das orientações bíblicas. Preocupado com este e outros movimentos reformadores que surgiram, a igreja lançou a Contra-Reforma com dois objetivos: catequizar novos cristãos, sobretudo no Novo Mundo (Américas), e perseguir aqueles que se opunham ao catolicismo, como assistimos na mini-série “A Muralha”, transmitida pela TV Globo.

Se você não sabe, os holandeses e franceses que aportaram no Brasil, por volta do século XVI e XVII, em sua maioria eram protestantes que fugiam da Contra-Reforma. Porém, como o Brasil era uma colônia portuguesa, país aliado ao Vaticano, holandeses e os franceses foram expulsos do território brasileiro. Neste tempo surgiu a Companhia de Jesus. Composta por jesuítas, a ordem deveriam difundir o catolicismo e lutar contra a Reforma Protestante. O seu líder, Inácio de Loiola, pregava obediência total a igreja e teria declarado: “acredito que o branco que vejo é negro, se a hierarquia da igreja assim o tiver determinado”.

Os protestantes que escolheram fugir para a América do Norte tiveram melhor sorte. Como aquele território era de domínio inglês, nação que estava em litígio com o Vaticano, porque o papa não aceitou o divórcio do rei Henrique VIII, os protestantes ficaram tranqüilos na América e transformaram aquele país numa nação protestante e a primeira onde o credo religioso era livre.

Séculos depois, mais precisamente em 2010, vemos ressurgir outra “Guerra Santa (entre forças religiosas). O problema é que o cenário escolhido para esta batalha é a eleição presidencial. Alguns líderes religiosos, através da grande mídia (quase sempre, mal intencionada), tentam direcionar o voto de quem, infelizmente, está cego, como diria Karl Max, pelo “ópio religioso”, que é o deslumbramento por figuras religiosas que, “acorrentam as bíblias no convento” e utilizam apenas o poder de convencimento e palavras bonitas.

Entidades e líderes religiosos defendendo este ou aquele candidato beira ao ridículo. Aliás, o governo do PT caiu em desgraça com alguns religiosos, quando decidiu, acertadamente, verificar a arrecadação das igrejas – o que nós acreditamos ser muito justo, a partir do momento que elas se tornaram um negócio bem lucrativo.

Também existe veladamente, por trás desta batalha, uma “Guerra Santa” entre católicos (que tem perdido fieis) e evangélicos (que tem ganhado fieis), sobretudo as igrejas neopentecostais, onde está inserida a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que tem raízes no PR, um dos partidos de sustentação do governo Lula.

Por último, e não menos importante, esta batalha televisiva entre a TV Globo, que sempre atendeu interesses comerciais e capitalistas, e a TV Record, propriedade do Bispo Edir Macedo, líder da IURD, que, logicamente, não é nenhum santinho e também tem interesses comerciais e ideológicos como a sua principal concorrente.

Os discursos estão voltados para aqueles que os poderosos chamam de “massa de manobra”, que é o povão iletrado, inculto, desatento e alienado dos seus direitos. Desavergonhadamente, empresas de jornalismo e líderes religiosos tentam convencer ouvintes, telespectadores, leitores e internautas com reflexões superficiais, cínicas, enganadoras e comprometidas. Portanto, cuidado com o que você assiste, lê (inclusive este texto), ouve e acredita. Tenha cuidado, sobretudo, com o destino do seu voto.

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